ONGs e empresas estavam na mira do esquema

O grupo chefiado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, comprava registros de empresas e organizações não governamentais (ONGs) para fraudar licitações e receber doações de ministérios, indica o inquérito da Operação Monte Carlo. Em escutas, a Polícia Federal flagrou Danilo Dias Dutra, apontado como um dos homens de Cachoeira na exploração de caça-níqueis, em negociatas para obter CNPJs e, com isso, conseguir benesses e contratos públicos.

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2012 | 03h07

Num diálogo em 27 de abril de 2011, ele pede a uma mulher não identificada que providencie uma empresa, já pronta, para que receba dinheiro do governo federal.

"Estou com um esquema de licitação lá no ministério, em vários ministérios, com gestores, com tudo, você entendeu? Os caras falam assim: você ganhou. Preciso de ter a empresa montada e queria que você me ajudasse, mas é para ontem."

Dutra explica que o objeto social deve ser o mais amplo possível, pois pretende abocanhar contratos de áreas distintas: "É vários segmentos (sic) numa empresa só". Ele convida a mulher para participar do negócio e adianta que a oportunidade é de "milhões".

Nos áudios obtidos pela PF, não há clareza sobre quais licitações Dutra visava. Mas, menos de dois meses depois, ao falar com um homem identificado como Eli, em São Paulo, ele diz estar com "um esquema muito bom no Ministério dos Transportes".

A compra de entidades sem fins lucrativos tinha como objetivo receber doações de ministérios. Em outros grampos, de maio, Dutra negocia a compra de entidades sem fins lucrativos.

Jogo. Segundo a PF, Dutra integrava a organização de Cachoeira na exploração de máquinas caça-níqueis. Cabia a ele também o pagamento de propina a policiais militares que mantinham as casas de interesse do contraventor abertas e fechavam as concorrentes. Ele é ligado a Olímpio Queiroga, elo entre o bicheiro e os responsáveis por pontos de jogos no Distrito Federal. Queiroga, diz o inquérito, repassava ao chefe da organização o pagamento referente à autorização de funcionamento dos locais. O Estado não localizou o advogado de Dutra na sexta-feira.

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