OEA aponta 78 jornalistas assassinados desde 2010

Setenta e oito jornalistas foram assassinados por causa de sua atividade profissional entre janeiro de 2010 e dezembro de 2013 nos 35 países do continente americano. O número consta da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2014 | 02h06

Entre os países tidos como os mais perigosos para os profissionais de imprensa, a lista da CIDH aponta Brasil, Venezuela, México e Honduras. O documento não elabora um ranking, mas cita casos como os dos funcionários da rede de TV venezuelana Globovisión, agredidos em eventos públicos por funcionários do governo e por eles tachados de "fascistas" e "inimigos da revolução".

O texto, preparado pela relatora e advogada colombiana Catalina Botero, aponta que quase um terço dos atos violentos (homicídios, agressões, ameaças, episódios de hostilidade) é cometido por agentes estatais. As perseguições são uma reação a denúncias de ações contra o meio ambiente, narcotráfico, grupos mafiosos e casos de impunidade.

Embora as considerações sobre o Brasil sejam, em geral, positivas - com destaque à atuação da Justiça no caso jornalista Tim Lopes, morto em 2002 e cujos assassinos foram condenados -, a relatoria cobra do País a implementação do Plano Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, medida de proteção aos profissionais do setor.

"Os Estados devem adotar um discurso público que contribua para a prevenção e instruir suas forças de segurança para que respeitem os jornalistas e mantenham estatísticas precisas sobre a violência contra eles", acrescenta o relatório.

Os números da CIDH estão um pouco abaixo dos 94 mortos divulgados antes pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) para esse mesmo período, mas que juntam mortos e desaparecidos. A SIP aponta 31 vítimas em 2010, 24 em 20112, 23 em 2012 e 16 em 2013. Desses crimes, 14 aconteceram no Brasil. Os países mais violentos foram México, com 29 mortos, e Honduras, com 19.

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