Odair Cunha garante que não haverá 'pizza'

Relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista rebateu críticas que acusavam esvaziamento da comissão

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2012 | 03h09

Na semana em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira patinou, o relator Odair Cunha (PT-MG) decidiu subir o tom e reagir às críticas de que será o patrono de uma "pizza". Para se defender, elaborou documento no qual chama de "circo" CPIs que expuseram "desnecessariamente a vida privada ou mesmo a própria imagem de seus investigados". E manda um recado aos parlamentares: o roteiro a ser seguido é o plano de trabalho aprovado, "do qual não nos desviaremos ao sabor de disputas político-partidárias". No documento, garante que vai propor a quebra de sigilo dos parlamentares envolvidos com o contraventor. E avisa que não desistiu de mirar a imprensa.

"Há que se lembrar de CPIs que naufragaram nos egos de seus integrantes, que pegaram fogo como a lona do circo que se propuseram ser. Garanto que este não será o caso", afirma Cunha, em documento que deverá ser divulgado esta semana.

Acalentando o sonho de vir a ser o candidato do PT ao governo mineiro, em 2014, Cunha tenta dar uma resposta às acusações de que poupou a empreiteira Delta e seu proprietário, Fernando Cavendish, além de governadores e parlamentares envolvidos no esquema de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

No documento, Cunha afirma que vai tocar com mão de ferro a condução dos trabalhos da CPI. "Assim como um policial não pode torturar um suspeito para obter uma confissão, o parlamentar que integra uma CPI não deve expor desnecessariamente a vida privada ou mesmo a própria imagem de seus investigados", diz.

Didático, Cunha divide seu trabalho em quatro fases, que mostram um cenário a perder de vista. A primeira foi o recebimento dos documentos das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que desvendaram o esquema ilegal de Cachoeira e sua relação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO). A segunda fase começa esta semana com o depoimento de Cachoeira à CPI, previsto para terça-feira, e a análise das mais de 30 quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de empresas e pessoas ligadas ao contraventor.

Na terceira fase, Cunha promete novas quebras de sigilos e depoimentos envolvendo os "deputados federais já exaustivamente citados pela imprensa; servidores de Goiás e do Distrito Federal e jornalistas ou demais profissionais que mantiveram relações regulares com Cachoeira e/ou integrantes do grupo". A última e derradeira fase ocorrerá após o recesso parlamentar e às vésperas das eleições, quando Cunha admite convocar governadores e diretores da Delta de outras regiões - e não apenas do Centro-Oeste, como foi aprovado, e até Cavendish. Até novembro, o relatório deverá estar concluído.

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