O 'sonhático' fim do loteamento de cargos

Bem colocada nas pesquisas e possível rival de Dilma, Marina já tem ritual de candidata e slogan do futuro governo: fim do presidencialismo de coalizão

DÉBORA BERGAMASCO/BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h08

Fortalecida pela última pesquisa de intenção de voto feita pelo Datafolha, que lhe garantiria hoje uma vaga no segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff, a ex-senadora Marina Silva (sem partido) já acena para os eleitores com pelo menos uma promessa difícil de cumprir. Antes mesmo de conseguir legalizar a existência de seu partido, a Rede, Marina defende o fim do presidencialismo de coalizão, em que o governo não lotearia cargos em troca de apoio no Congresso.

Mais "sonhática" do que pragmática, como ela mesma já se definiu, a ex-ministra do Meio Ambiente tem se reunido com colegas de projeto político e defensores de sua candidatura e acha que é possível comandar o País sem uma base de apoio formada nos moldes políticos tradicionais, desde que tenha o apoio da população. Além de romper com o modelo político convencional, a provável candidata idealiza que a Educação seja a marca de sua gestão.

"Marina diz que não interessa a ela ser presidente nesse contexto de troca-troca entre Legislativo e Executivo que o País vive hoje", afirmou o deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), que apoia a ex-ministra.

Para ela, é preciso "contaminar positivamente" o modo de fazer política no Parlamento. "Por isso, o estatuto da Rede Sustentabilidade prevê encampar candidaturas avulsas", disse Feldman.

O também deputado federal e entusiasta da Rede Alfredo Sirkis (PV-RJ) destaca que a futura legenda procura apoio de políticos dentro de vários partidos e não alianças com um ou outra agremiação. "Buscamos uma afinidade por temas e achamos que quem apoiar as ideias de um eventual governo da Rede, votaria conosco mesmo que for de outra bancada", idealiza.

Aquecimento. Mesmo sem garantias de que a Rede sairá do papel em tempo hábil para participar das eleições do ano que vem, o fato é que as pesquisas demonstram que Marina faz parte definitivamente do jogo eleitoral. Por isso, ela precisará se impor não como uma opção de voto de protesto, mas como candidata que teria condições reais de pilotar o País, livrando do rótulo de que domina apenas temas ambientais.

Reuniões semanais. Ciente desses obstáculos, Marina se reúne semanalmente com intelectuais, políticos, empresários e sociedade civil para discutir demandas e soluções para o País. Esteve até no Programa do Ratinho (SBT), tribuna obrigatória de qualquer presidenciável. A ex-ministra conquistou um grupo cativo de conselheiros "notáveis" que ajudam a moldar a cara do que seria um governo comandado por uma ex-seringueira.

O deputado Walter Feldman até escalou, dentro do grupo que apoia Marina, como seria a Esplanada dos Ministérios de seus sonhos: o economista Eduardo Giannetti na Fazenda ou no Planejamento, a pedagoga e socióloga Maria Alice Setúbal na Educação, o mestre em economia agrícola José Eli da Veiga no Meio Ambiente. E lista até quem ainda não está conectado com a Rede, como o diretor do Sesc de São Paulo, Danilo Miranda, na pasta da Cultura, e o urologista e professor titular da USP Miguel Srougi, à frente do Ministério da Saúde.

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