Juliene Cabral
Juliene Cabral

O séquito de Bolsonaro já tem um príncipe

Luiz Philippe de Orleans e Bragança disputará vaga na Câmara pelo PSL, sigla do presidenciável

Gilberto Amendola e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 05h00

Correções: 05/05/2018 | 10h01

O séquito bolsonarista já conta com uma figura “real”: Luiz Philippe de Orleans e Bragança, de 49 anos, é pré-candidato a deputado federal pelo PSL – partido que também irá lançar Jair Bolsonaro à Presidência da República. Além da candidatura, Philippe está cotado para presidir a Fundação do partido, que, por sugestão do próprio, deve se chamar José Bonifácio, figura histórica conhecida como o ‘Patriarca da Independência’.

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Philippe é filho do príncipe D. Eudes de Orleans e Bragança e sobrinho do chefe da Casa Imperial do Brasil, Luís Gastão de Orleans e Bragança. Cientista político e administrador de empresas, ele também foi o criador do Movimento Liberal Acorda Brasil – que esteve ao lado de MBL (Movimento Brasil Livre), Vem Pra Rua, Revoltados Online e outros grupos em manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Há poucos meses, Philippe ainda era filiado ao partido Novo, mas se disse atraído pelo convite e discurso mais firme do PSL. “Não é um problema. Eu não pulei da direita para a esquerda. Eu passei da direita para a direita”, disse.

Segundo o descendente da família real brasileira, o primeiro encontro com Bolsonaro aconteceu há dois anos, no gabinete do deputado em Brasília. Na ocasião, eles conversaram sobre a ideias que seriam apresentadas em seu livro Por que o Brasil É Um País Atrasado?, lançado em 2017.

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A tese central da obra de Philippe é a ideia de que o povo brasileiro não é soberano porque não possui mecanismos para limitar as ações do governo e da burocracia estatal. Entre os temas que teriam interessado Bolsonaro, e que estão no livro, está a descentralização do poder federal e a possibilidade de fortalecer os municípios.

Agora, no PSL, Philippe tem sido um interlocutor mais frequente do deputado. Na quinta-feira, 3, ele esteve ao lado do presidenciável em São Paulo, durante o evento em que o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira assumiu o Comando Militar do Sudeste, em substituição ao general João Camilo Pires de Campos – procurado pela reportagem, Bolsonaro não se manifestou sobre o a candidatura de Philippe.

O candidato a deputado se define como um liberal na economia, conservador nos costumes e, claro, um monarquista. “Monarquia não é um modelo de governo, mas uma organização de Estado”, diz. Para ele, o modelo baseado nos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) está fadado ao fracasso. “Defendo a monarquia como um poder cívico. Não se trata de um poder absolutista”, disse.

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O herdeiro da família real ressalta que não defende a monarquia por interesses próprios. “Eu nunca seria rei ou imperador do Brasil. Meu pai abdicou desse direito antes mesmo de eu nascer”, disse. Em termos de realpolitik, Philippe defende o modelo de monarquia parlamentarista – que, segundo ele, deve ser atingida através de um referendo popular. “Mas o primeiro passo é o parlamentarismo”, afirmou.

Correções
05/05/2018 | 10h01

Diferente do publicado anteriormente, Luiz Philippe de Orleans e Bragança é sobrinho de Luís Gastão de Orleans e Bragança.

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