'O relator da CPI tem tido uma conduta suspeita e parcial'

Governador tucano acusa o deputado Odair Cunha de perseguição e diz que não vendeu sua casa para Carlinhos Cachoeira

Entrevista com

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h08

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), saiu da defensiva e partiu para o ataque, afirmando que está sendo perseguido pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG). Em entrevista ao Estado, ele acusa Cunha de vazar informações sigilosas a seu respeito em poder da CPI, ao mesmo tempo que protege o governador petista do DF, Agnelo Queiroz. Para ele, Odair age como um "jagunço a serviço de terceiros".

Seus adversários dizem que estão fechando o cerco contra o senhor.

Há uma tentativa de vendeta muito forte em relação a mim. Dei todas as explicações à CPI das citações indevidas do meu nome e, no entanto, o relator tem tido uma conduta absolutamente suspeita e parcial. Percebo o PT dividido entre os que querem investigação séria e não estão nessa de perseguição e alguns que estão trabalhando como se fossem jagunços a serviço de terceiros.

O nome de Cachoeira sempre foi ligado à contravenção. Não é arriscado para um governador vender uma casa para ele?

Primeiro, reafirmo o que disse na CPI. Eu ouvi falar do nome do Cachoeira como operador da loteria do Estado de Goiás. Tinha contrato legal com o governo. Segundo, se eu tivesse vendido a casa para o Cachoeira, teria dito no primeiro dia. Mas não vendi.

O fato de seu patrimônio ter dobrado em 2011 em relação a 2010 é explicável?

Não dobrou. Eu comprei um apartamento em São Paulo, paguei a metade e vou pagar a segunda em setembro. Está lá no meu imposto de renda. Só que vou financiar o apartamento. Estou procurando instituições de crédito. Na quitação da segunda metade com esse financiamento, eu que já estou devendo o empréstimo tomado para pagar a entrada, vou continuar devendo por 20 anos. Parte dos recursos que vou financiar, também vou pagar dois empréstimos que fiz no ano passado. Então, meu patrimônio não dobrou. Eu vendi a minha casa, tive lucro com a venda. Daí o crescimento do patrimônio.

E a sociedade com Lúcio Fiuza e sua mulher Valéria? Por que o sr. fechou a empresa que lhe deu R$ 672 mil de lucro?

O Lúcio é meu amigo de uma vida, em quem deposito total confiança, e a outra pessoa é minha mulher. Eles entraram como sócios minoritários para abrir a empresa. Não estou querendo me comparar a Lula nem a Fernando Henrique, mas os dois fazem palestras e recebem por elas. Quando deixei o governo, comecei a fazer palestras para me sustentar. Entre o período que eu deixei o governo e assumi o Senado fiz dezenas de palestras. Eu precisava de uma microempresa para emitir notas fiscais, pagar impostos e receber pelo trabalho que realizei. Quando assumi o Senado, não justificava mais manter a empresa. Aliás, nem pode. É incompatível com o mandato público.

Como o sr. responde às acusações de Luiz Carlos Bordoni que disse ter recebido R$ 40 mil em espécie de suas mãos?

Ele terá que provar na Justiça. Eu já entrei com uma ação por calúnia contra ele e, agora, cabe a ele o ônus da prova.

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