O relato do front em um clique

'Acervo Estado' leva à internet cobertura completa do conflito feita pelo jornal

LIZ BATISTA / ACERVO ESTADO, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2012 | 03h03

No maior conflito militar da história brasileira no século 20, os combatentes que perderam no campo de batalha venceram no campo político. Essa foi a vitória obtida pelos paulistas na Revolução de 32.

Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio de Camargo Andrade foram os primeiros a morrer pela causa - o total de mortos, porém, ainda é controverso, variando de 634 até 1.050 (Veja reportagem na pág. 6) -, e foram transformados em mártires. Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujos nomes inspiraram a sigla MMDC, inflamaram a crescente mobilização no Estado em prol da retomada do regime democrático constitucional e da realização de eleições.

Defensor do movimento constitucionalista, o Estado cobriu todo o desenrolar do conflito, as manifestações que tomaram as ruas pedindo autonomia e defendendo a Constituição, a morte dos quatro jovens, a organização da guerra civil, a sublevação armada e os 87 dias de batalha sob o comando de Isidoro Dias Lopes, Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo.

O Estado, crítico da posição do Governo Provisório e de seu chefe, transformou-se num grande difusor dos ideais revolucionários e objetivos. Nos meses de batalha, relembrou leitores - muitos deles combatentes e colaboradores - por quais princípios liberais e democráticos lutavam. Em seus editoriais, o termo "Governo Provisório" passou a não figurar. Para que não houvesse dúvida contra o que lutavam, o governo central era a "ditadura", termo que mais adiante passou a ser grafado com "D" maiúsculo.

Publicou comunicados conclamando a nação, Estado por Estado, a apoiar o movimento paulista. Falando para grupos, escreveu a todos, aos "médicos do Brasil", aos "engenheiros do Brasil", aos "industriais do Brasil", aos "estrangeiros". Manteve em suas colunas o "Diário de um soldado voluntário", no qual um combatente contava o dia a dia no front, entre agruras da guerra, difíceis combates e calorosas acolhidas em cidades interioranas. Abraçou a campanha de doações, agradeceu às senhoras paulistas - "alma do movimento libertador", que, "de tudo, dos tesouros do coração, das joias materiais mais valiosas, se tem despojado para alimentar a guerra."

Com leitores espalhados por todo o território nacional, desempenhou papel importante na comunicação e na organização do esforço de guerra. Catalisou apoio para a causa, para infortúnio dos adversários, que, em agosto de 1932, chegaram a distribuir no Rio edições falsificadas do Estado para manobrar a opinião pública da capital. Analisando o trabalho do jornal durante e após a Revolução, não é difícil compreender por que Getúlio Vargas, em 1940, no Estado Novo, não apenas manteve o Estado sob censura, mas o confiscou e designou um interventor para o jornal. Mais que lhe infligir o silêncio, valia manufaturar suas palavras.

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