O que leva alguém a deixar o Supremo Tribunal Federal?

Nomeação de ministro do Supremo Tribunal Federal é política - o que fez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarar recentemente que deveria ter sido "mais técnico" nas escolhas feitas durante seu mandato no Planalto.

ANÁLISE: Humberto Dantas é cientista político, professor do Insper e colunista da 'Rádio Estadão', O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2013 | 02h08

O apontamento parte do Executivo e é dado como certo. No Senado, o que seria uma sabatina para equilibrar a indicação costuma ser um dócil chá da tarde.

Uma vez empossado, o novo membro tem garantias de estabilidade e seus vencimentos são utilizados como teto para subsídios do funcionalismo federal. Vitaliciedade, trabalho até os 70 anos e aposentadoria integral completam o cenário.

Além de todo o poder que têm percebe-se que o Estado não alivia nas garantias aos ministros de sua Corte maior. Em perspectiva comparada, raras são as nações que ofertam mais.

Pois bem, diante desse cenário o que levaria um ministro a deixar o STF? Projetos pessoais? Pode até ser, mas em exercício de mandato, e sob o desafio de presidir a Corte, não seria razoável guardar para si ideias individuais sobre o futuro?

Não é o que pensa Joaquim Barbosa. Visto como uma espécie de super-herói por parte da população, o magistrado sugeriu ontem, mesmo com várias ressalvas, que poderá ser candidato à Presidência da República "no futuro".

Em 2014, perguntariam os mais ansiosos? Sim, ainda dá tempo! Para membros do Judiciário os prazos de filiação partidária e desincompatibilização são de seis meses. Mas não. Joaquim Barbosa frustrou os fãs e traçou seus planos para depois das eleições do ano que vem, apontando uma possível, mas não planejada, candidatura à Presidência da República em tempo ainda incerto.

Importante destacar que esse não seria o primeiro membro do Supremo envolvido na política. Nelson Jobim, facilmente apelidável de "Senhor Três Poderes", foi deputado federal por dois mandatos, ministro dos governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e presidente do Supremo.

Carlos Ayres Britto, por sua vez, foi candidato derrotado a deputado federal pelo PT antes de ser indicado ao Supremo Tribunal Federal. E Joaquim Barbosa? Bom, os planos pessoais foram apresentados, resta saber se são reais.

Tudo o que sabemos sobre:
Joaquim BarbosaSTFEleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.