'O PT não é perfeito', afirma presidente ao comentar mensalão

Ao receber a imprensa no Planalto, Dilma diz que o País 'deve muito' à sigla; sobre 2014, ela diz que não fala 'nem amarrada'

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2012 | 02h04

Dez dias após o término do julgamento do mensalão, a presidente Dilma Rousseff disse que "o PT não é perfeito" e afirmou não haver crise entre os poderes por causa da condenação de réus petistas. Em café da manhã com jornalistas, ontem, no Palácio do Planalto, Dilma evitou temas polêmicos e avisou que não falará "nem amarrada" sobre a possibilidade de reeleição.

A presidente se recusou a comentar o julgamento do mensalão e, apesar de insinuar que podem ter ocorrido erros por parte de petistas, defendeu o partido. "Eu acho que o PT é um dos grandes produtos da democratização do Brasil. Como qualquer obra humana, não é perfeito, mas deu e dá grandes contribuições ao País. O Brasil deve muito a tudo o que o PT fez", afirmou.

Filiada ao partido desde 2001, Dilma é pré-candidata à reeleição, em 2014, e o tema mensalão sempre foi proibido no Palácio do Planalto para evitar que a agenda negativa contamine o governo. Na manhã de ontem, apesar da insistência dos repórteres, ela não cedeu. "Eu posso concordar ou discordar, mas não me manifesto. Isso não contribui para a governabilidade", insistiu.

Questionada sobre um possível segundo mandato, a presidente recorreu a uma expressão usada quando ela era ministra da Casa Civil e não queria confirmar a candidatura à sucessão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu não respondo isso nem amarrada", retrucou, rindo. "Lembram do 'nem amarrada'?".

Uma jornalista perguntou, então, sobre a possível volta de Lula, na eleição de 2014, defendida por algumas alas do PT. "Não falo sobre sucessão presidencial no meio do meu governo. Não vou antecipar o fim do meu mandato. Isso não é politicamente necessário", reagiu. "Pretendo governar com absoluto empenho até dezembro de 2014, como se estivesse no início do governo."

Fux. Dilma garantiu não se arrepender de ter nomeado o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, que condenou os réus do PT. "Não me arrependo de nada. Estou muito velha para isso", disse a presidente, ao lembrar que completou 65 anos, no último dia 14. "A gente só se arrepende quando é nova."

Dirigentes do PT e até o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, contaram que, antes de ser nomeado, Fux os procurou em busca de apoio e assegurou não haver provas no processo para condenar os petistas acusados de comprar apoio no Congresso, no primeiro mandato de Lula. "Eu mato no peito", afirmou ele, na ocasião.

Após chegar ao Supremo, porém, Fux condenou o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

"Depois que são indicados, os ministros (do STF) têm distância de mim, vivem suas vidas e têm a autonomia pregada por Montesquieu", disse Dilma, numa referência ao pensador francês Charles de Montesquieu, formulador da teoria da separação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. / V.R. e T.M.

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