O PSD e as duas sucessões

A candidatura do ex-governador José Serra à Presidência da República, que parece reafirmada em suas últimas declarações e movimentos, abre espaço para a aliança entre PSD e PSDB nas eleições municipais em São Paulo, possível base para 2014.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h02

Isto porque o único compromisso do prefeito Gilberto Kassab hoje é com o apoio a Serra para a prefeitura paulistana, o que dificultaria a costura de um acordo com o governador Geraldo Alckmin. Uma vez afastada essa hipótese, Kassab tem o caminho livre para negociar o apoio do governador ao candidato de sua preferência, Afif Domingues, garantir sua ida futura para o Senado e apoiar a reeleição de Alckmin.

Os pré-candidatos do PSDB à prefeitura hoje são avaliados como de baixíssimo potencial eleitoral e insuficientes para encorajar a cúpula do partido a uma disputa na qual o candidato do PT, Fernando Haddad, é a representação do ex-presidente Lula.

Tomada por verdadeira essa análise, que circula no PSD, o cenário da sucessão em 2014 abre três alternativas ao recém-criado partido - uma delas uma aliança com o PT, menos descartável do que com o próprio Serra.

As duas outras seriam o apoio ao PSDB, se o candidato for Aécio Neves (MG), ou candidatura própria, no caso a da senadora Kátia Abreu (TO). Esta última só ocorrerá se Aécio e Dilma não refletirem um favoritismo na disputa.

As duas incógnitas, que mantêm em suspense ações mais objetivas, estão exatamente em Serra - de quem não se espera, mas se admite um recuo - e no ex-presidente Lula, cuja possibilidade de se candidatar ainda é considerada apesar de seu problema de saúde.

Lula e Serra

são divisores

São, portanto, Lula e Serra, as personagens que dividem o PSD na sucessão em 2014. O apoio unânime ao primeiro seria inviável, assim como ao segundo, que já concorreu em 2010 com o DEM - embrião do PSD - dividido na campanha: uma parte, que desejava Aécio como candidato, dando apenas presença formal na disputa; outra, empenhada na vitória pela perspectiva de evitar a continuidade da era PT. Mesmo com origem na ala serrista do DEM, o PSD hoje abriga políticos de diversos matizes, bastando observar que a inédita velocidade com que se estruturou em todo o País se deve ao fato de nascer como sublegendas de quase todos os governos estaduais.

Balanço

O último balanço do PSD registra 2 governadores, 2 senadores, 56 deputados federais, 107 deputados estaduais, 5.957 vereadores; 559 prefeitos ( 330 concorrem à reeleição); 4.572 diretórios e 150 mil filiados. O partido pretende lançar ainda 1,2 mil candidatos a prefeitos e espera eleger algo em torno de 700 prefeitos.

Agnelo preocupa

O apoio público do PT, Zé Dirceu à frente, ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, não diminuiu um milímetro a preocupação do Planalto com a situação em Brasília. Com processo correndo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que lhe bloqueou os bens, uma admissão pública de ter recebido R$ 5 mil de um lobista, e uma administração sob investigação permanente, o governador reúne problemas em três frentes: na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Ministério dos Esportes e no governo da capital. Ou seja, por onde passou teve o nome envolvido em corrupção. O Planalto (e, de resto, a comunidade política) não vê a menor chance de a versão de empréstimo de Agnelo para justificar os R$ 5 mil se aproximar da verdade. A solidariedade pública promovida por Dirceu foi mais um recibo da fragilidade de Agnelo e tem mais a ver com o partido que com o governo.

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