'O PSB é uma alternativa de poder para o Brasil'

Deputada federal defende candidatura de Eduardo Campos e diz que a sigla não está totalmente satisfeita com Dilma

Entrevista com

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h09

"Se nós estivéssemos absolutamente satisfeitos e contentes com o que está se dando..." A frase incompleta da deputada Luiza Erundina diz muito sobre o atual momento do seu partido, o PSB. Para ela, se a sigla estivesse absolutamente satisfeita e contente com o governo Dilma Rousseff, do qual faz parte, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não estaria protagonizando o papel de possível candidato à Presidência em 2014. Em entrevista ao Estado, Erundina defendeu que o PSB se apresente como alternativa de poder.

Campos será candidato à Presidência da República em 2014?

A direção nacional não discutiu essa questão, mas a tendência é consolidar o projeto de uma candidatura. O PSB sustentou os projetos do PT desde 1989. Mas a sigla cresceu e está seguindo o roteiro de qualquer partido, que é ser uma alternativa de poder no País.

A candidatura representa um rompimento entre PT e PSB?

De jeito nenhum. O PSB tem afinidade com aquilo que se fez, mas também outras propostas e outras visões.

Campos costuma dizer que é possível fazer mais. Concorda?

Sim. Senão, não seria um outro partido, não seria um outro candidato. Se nós estivéssemos absolutamente satisfeitos e contentes com o que está se dando... Se não tivesse alguma nuance que pudesse destoar do atual governo, por que quer ser candidato?

E qual seriam essas nuances?

O PSB teria um outro projeto de gestão. As gestões do governo Lula e Dilma são muito centralizadas e muito condicionadas apenas ao apoio do Congresso. Tudo é pretexto para dizer que não se pode fazer tal coisa por conta da governabilidade.

O PSB deve deixar o governo da presidente Dilma?

Eu acho que o PSB foi uma das forças da coalizão que ajudou a eleger e tem ajudado a construir as políticas desse governo. Portanto, esse espaço que o partido ocupa é legítimo. Mas eu acredito que, num dado momento, até para evitar esses questionamentos, o partido vai tomar essa decisão.

Quais os planos para 2014?

Talvez mais um mandato de deputada esteja na agenda, mas a gente nunca sabe, vai depender da dinâmica partidária.

A sra. aceitaria se candidatar ao governo de São Paulo?

Eu estudaria. Mas isso não foi posto em nenhum momento. Por enquanto, posso dizer que sou uma entusiasta da candidatura do Eduardo.

A senhora se arrependeu de ter saído da chapa do Fernando Haddad por causa do PP?

Não, eu não estaria confortável. Estaria muito desgostosa.

Para as eleições de 2014, o PSB também terá restrições na hora de fazer alianças?

As minhas posições não são as posições majoritárias do partido. Muita gente concordou com a minha decisão (de sair da chapa que concorreu à Prefeitura em 2012), mas o meu partido provavelmente não tomaria essa decisão. Esse rigor que eu tenho com a coerência política não é do meu partido e de nenhum outro. Não vê como se comportam os partidos todos?

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