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O preço da inclusão

A julgar pelas palavras do vice, Nicolás Maduro, ao anunciar oficialmente a morte do presidente Hugo Chávez, uma das indagações que se faz a respeito do futuro da Venezuela já pode ser respondida: sim, o chavismo vai sobreviver à ausência física daquele que lhe deu o nome.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h08

Não se sabe por quanto tempo, mas a sobrevida por ora é buscada, e em princípio parece garantida, no culto ao líder feito mártir de um câncer cuja existência Maduro atribui aos "inimigos da revolução" - vale dizer qualquer adversário, sempre sob a capitania dos Estados Unidos - a "inoculação" do câncer em Chávez.

Por mais absurda, fruto óbvio da manipulação de sentimentos e necessidades que possa soar a declaração, é evidente o seu objetivo de manter viva a chama da tensão popular como combustível à defesa do regime ameaçado de desintegração com a morte da versão local do guia genial dos povos.

A fórmula é conhecida, aplicada com maior ou menor competência - no caso de Chávez, com extrema: garante-se o pão de cada dia, anima-se o circo e se mantém a massa distraída das mazelas pelas quais mais adiante pagará a conta.

Enquanto estiverem ocupados em cultuar o mito e combater fantasmas ao meio-dia, os venezuelanos compreensível e justamente satisfeitos com as melhorias na educação, alimentação, habitação e efeitos outros dos programas sociais executados nos 14 anos da era Chávez, deixam em segundo plano a inflação alta, o desabastecimentos de energia e alimentos, a violência crescente, os investimentos decrescentes, a explosão dos gastos públicos.

Com a mão esquerda, por assim dizer, Hugo Chávez reduziu significativamente a quantidade de reféns da pobreza extrema, mas com a direita retirou um patrimônio que é direito humano universal.

Ao mesmo tempo em que executou programas sociais eficazes, capturou as instituições da Venezuela e fez delas instrumentos de trabalho de um projeto autoritário.

Dentro da lógica torta de que é necessário aniquilar a democracia para poder proporcionar uma vida melhor a quem precisa.

Chávez mudou a Constituição para adaptá-la à sua conveniência de governar sem prestar contas a ninguém. Alterou a composição da Corte Suprema para ter o Judiciário não como Poder da República, mas como um avalista de seus atos. Mudou normas eleitorais para facilitar a ocupação do Legislativo por seus aliados.

Fechou a maior rede de televisão do país e impôs cerco político e econômico à imprensa independente, enquanto financiava a formação de meios de comunicação a serviço do governo.

Desestruturou a economia, jogou o país nas trevas do atraso institucional, tudo nos últimos 14 anos e até agora ancorado na figura de um populista que deixa herdeiros, deixa um cidadãos presos da sensação de orfandade, mas deixa também uma escolha à Venezuela.

Prosseguir com o chavismo numa trilha de destino desconhecido ou enfrentar o desafio de reconstruir a democracia em seu sentido pleno e reorganizar a economia sem que os mais pobres voltem à situação de exclusão que levou Hugo Chávez ao poder que, de seu ponto de vista, tão bem soube manusear.

Das bermudas. Última forma (até agora) no PMDB: em São Paulo não fará questão de candidato ao governo porque não tem nomes competitivos; em Minas está calado à espera do Ministério dos Transportes, mas espicha o olho para o grupo de Aécio Neves; no Rio fecha com o vice-governador Luiz Fernando Pezão, mas nem pensa em fazer disso razão para abrir mão do lugar na chapa de Dilma Rousseff em 2014.

O partido trabalha com a ideia de dois palanques -acha que o PT não desiste de Lindberg Farias - e com a hipótese de Pezão assumir o governo mediante licença de Sérgio Cabral para concorrer ao Senado.

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