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O melhor remédio

As pessoas que se espantam e reclamam quando deputados ou senadores alvos de denúncias ou de algum tipo de desconfiança assumem postos de relevância no Parlamento, devem ter em mente que, uma vez eleitos, todos os congressistas dispõem dos mesmos direitos.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h08

Em tese, têm os mesmos deveres para com as pessoas - espantadas ou não -, mas esta é outra parte da história.

Se a realidade não combina com nossas expectativas, de duas, uma: ou aceitamos ou nos movimentamos para evitar tais dissabores. Berrar, insultar, esbravejar contra os absurdos alivia, mas não resolve.

Manifestos via internet fora do período eleitoral, tampouco. Vale lembrar que o projeto que resultou na Lei da Ficha Limpa para candidatos chegou ao Congresso em setembro de 2009.

Dormiu em berço esplêndido até abril de 2010, quando suas excelências foram instadas a acordar devido à proximidade das eleições gerais de outubro, boa parte confiando que a lei seria declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

O trabalho, portanto, é mais árduo. Começa pela consciência de que quanto mais longe da política o cidadão estiver, quanto mais rejeição ele manifestar por esse ambiente, acreditando que a exibição de repúdio o exime de responsabilidades, pior ficará.

O historiador britânico Arnold Toynbee resume a ópera em uma frase: "O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam".

É isso. Se as pessoas ficarem no conforto do nojinho inconsequente e sem compromisso com coisa alguma a não ser com a conversa que se joga fora, vale pouco ou quase nada gritar que o pastor apontado como homofóbico não pode presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que o suspeito de ter recebido dinheiro indevido quando secretário de Educação não pode se sentar na presidência da Comissão encarregada da área, que o deputado condenado não pode assumir mandato, que o réu não pode comandar a Comissão de Constituição e Justiça, que o denunciado pelo Ministério Público não deveria presidir o Senado.

Uma vez contados os votos, legitimada a eleição, mandatos empossados, senhoras e senhores, Inês é morta.

O jeito que se pode dar é antes. Votando bem? Fundamental, mas não suficiente. O interesse pelo que se passa no País é o primeiro passo. O hábito de usar de discernimento para avaliar o que se vê e ouve é outro.

Informar-se, essencial. Chamar o parente, o amigo, o colega de trabalho a perceber que da junção de forças individuais é que se movimenta o coletivo, providencial.

Compreender o básico sobre a importância e o funcionamento das instituições, indispensável.

É difícil? O cidadão tem mais o que fazer? O assunto não é interessante? Pois, então, os que se interessam por ele desde já e para sempre penhorados, agradecem.

São nunca. A presidente Dilma Rousseff já não está com essa popularidade toda entre o empresariado. Ficará entre a cruz e a caldeirinha se realmente levar concretizar a promessa feita às centrais sindicais de "examinar" a redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário.

Sendo obviamente a primeira a ter plena consciência da sinuca, o mais provável é que a presidente deixe o assunto para o Congresso, catedrático na arte do empurra.

Mau sinal. Deixa um desagradável aroma de tutela no ar a declaração do ministro da Defesa da Venezuela exortando a população e as Forças Armadas a cumprirem a "missão" de eleger Nicolás Maduro como sucessor de Hugo Chávez.

Diferentemente do Brasil, lá o ministro da Defesa é militar, almirante Diego Molero.

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