'O governador privilegiou a continuidade de uma gestão'

O novo procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, Márcio Elias Rosa, afirma que o governador Geraldo Alckmin o escolheu por representar a "continuidade de uma gestão política". Ele nega que a instituição tenha ficado abalada após sua nomeação.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2012 | 03h05

O MP ficará dividido?

Não creio nessa possibilidade. A nomeação pelo governador apenas encerra o processo eleitoral e inicia uma nova gestão. Essa ocorrência é comum em outros Estados.

O procedimento de escolha do chefe do MP deve ser mantido?

O sistema talvez possa ser aperfeiçoado, evoluindo-se para o voto uninominal, e não plurinominal. Seria uma inovação interessante para apurar aquele que tem, eventualmente, maior representatividade política.

O fato de ser o candidato de situação o favoreceu?

O governador tomou uma decisão que privilegiou a continuidade de uma gestão política que teve início há quatro anos no Ministério Público. A escolha do meu nome não significa demérito e nem reprovação dos que não foram nomeados.

O sr. concorda com a concessão de auxílio-alimentação a procuradores e promotores?

Tenho certeza que essa discussão não interferiu no resultado da eleição. Nós teremos que avaliar a possibilidade e as medidas de legalidade necessárias para eventual implantação.

Que mudanças o sr. defende em relação à atual gestão?

Meu programa foi baseado na ideia de continuidade com aperfeiçoamentos. Podemos melhorar a interlocução com a sociedade civil e com a imprensa. Podemos criar instrumentos de apoio às áreas criminal e de políticas públicas.

O sr. propõe desburocratizar o MP. Hoje a instituição é lenta?

O Ministério Público de São Paulo está passando por um processo de modernização estrutural, que promove alterações significativas das rotinas. Acho que a grande atenção do gestor deve ser para que nunca a rotina se transforme em entrave para um bom funcionamento das promotorias.

O sr. pretende manter a discrição dos trabalhos do MP e evitar a superexposição na imprensa?

A exposição pública do MP é indispensável para informar e prestar contas. Ela nunca deve ser baseada no culto às pessoas, ou voltada para a espetacularização. O MP não deve criar fatos jornalísticos. / B.B.

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