'O governador Perillo mentiu', diz relator da CPI

Odair Cunha afirmou ontem, após depoimento do arquiteto Alexandre Milhomen, que o tucano vendeu a casa para Cachoeira

EUGÊNIA LOPES, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h07

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse ontem que está convencido de que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mentiu sobre a venda de um imóvel em condomínio de luxo, em Goiânia. Foi nessa casa que o contraventor Carlinhos Cachoeira foi preso em fevereiro pela Polícia Federal.

Para o relator, Perillo vendeu a casa para Cachoeira, e não para o professor Walter Paulo Santiago, conforme relatou à CPI. O governador poderá ser indiciado pelo crime de perjúrio ao fim dos trabalhos da comissão. "O governador mentiu. Está evidente que a história da venda da casa foi montada", afirmou Cunha. Para ele, Perillo foi no mínimo "conivente, leniente com a organização criminosa de Cachoeira". "Me parece que o Walter Paulo foi enganado de que comprava uma casa do Perillo."

O petista argumentou que o arquiteto Alexandre Milhomen, que depôs ontem na CPI, foi contratado por Cachoeira para redecorar a casa em maio, quando o imóvel teoricamente ainda pertencia ao governador. "Há evidências de que quem adquiriu a casa do governador foi o Cachoeira", disse o relator, baseado nas escutas feitas pela PF durante a Operação Monte Carlo que detectaram conversas entre Cachoeira e Milhomem.

"Há um direcionamento inquestionável do relator de investigar o governador de Goiás", reagiu o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). "O governo federal é que está associado à organização do Cachoeira", rebateu o senador tucano Álvaro Dias (PR).

Único dos três depoentes agendados para a sessão de ontem que falou à CPI - Lúcio Fiúza e Écio Antônio Ribeiro foram convocados, mas ficaram calados -, Milhomen disse que foi contratado para decorar o imóvel por Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira. Ele disse ter recebido R$ 50 mil, pagos em cinco parcelas de R$ 10 mil. Pelo menos uma dessas parcelas saiu da conta da Alberto Pantoja, empresa de Cachoeira que recebia recursos da Delta Construções.

Novas escutas. Grampos revelados ontem pela CPI sugerem que Cachoeira quis desvincular seu nome da compra de uma casa que seria de Perillo. Em uma conversa interceptada pela PF no dia 5 de maio de 2011, Cachoeira disse para Andressa que era para "rasgar urgentemente" um contrato do imóvel. "Têm áudios, inclusive, em que ele (Cachoeira) manda rasgar o contrato para não ficar evidenciada a relação entre eles", afirmou Cunha.

Na conversa grampeada pela PF, o contraventor afirmou para a mulher que não queria que a casa fosse vinculada a seu nome. Para Andressa, Cachoeira disse que preferiu usar na negociação uma empresa controlada por Deca, apelido de André Teixeira Jorge. Ele é apontado pela polícia como laranja das empresas de fachada e uma espécie de secretário do contraventor.

A casa de R$ 1,4 milhão foi paga com três cheques de uma empresa do sobrinho do contraventor, Leonardo de Almeida Ramos. À CPI, Perillo disse não ter se preocupado com quem emitiu os cheques e negou que tenha vendido a casa para Cachoeira. Contudo, Odair Cunha disse que o governador mentiu à comissão, tendo montado uma história para negar a relação entre os dois.

Em nota, a assessoria do Governo de Goiás acusa Cunha de fazer prejulgamento e de usar a CPI "como instrumento de vingança". "Querer condenar um governador em seu terceiro mandato pela venda de um bem pessoal, vendido a preço de mercado, escriturado pelo valor da venda e declarado à Receita Federal é algo insano e de má-fé."

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