O filho ‘Neves’ que faz Cabral ameaçar o PT

Marco Antônio segue os passos do pai no PMDB e pode disputar mandato de deputado já em 2014

LUCIANA NUNES LEAL / RIO , O Estado de S.Paulo

16 Junho 2013 | 02h03

Aos 22 anos, o estudante de Direito Marco Antônio Neves Cabral vai todas as tardes ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, entre as aulas na PUC, que frequenta de manhã e à noite. Assiste a algumas reuniões, participa de solenidades. Não é contratado, nem em cargo comissionado. É uma espécie de estagiário informal, interessado em gestão pública. O acesso ao poder é garantido por um laço familiar: o rapaz é filho do governador Sérgio Cabral (PMDB) e segue os passos do pai na política.

Marco Antônio é presidente da Juventude do PMDB, mesmo cargo ocupado por Cabral em 1982. Também é vice-presidente do PMDB do Rio. O sangue da política não está apenas do lado paterno. A mãe, Suzana Neves, ex-mulher de Cabral, é prima do senador mineiro Aécio Neves, provável candidato do PSDB ao Planalto. Os avós de Suzana e Aécio eram irmãos: Francisco e Tancredo Neves. Por compromissos partidários, Marco Antônio não foi este ano ao tradicional encontro anual dos Neves, em São João del-Rey, mas tem contato com a família mineira.

Não foi à toa que Cabral lembrou, em recente jantar na casa do vice-presidente Michel Temer, o nome completo do filho. O governador indicava que não teria problemas em se aliar ao tucano, se a aliança entre PMDB e PT no Rio se desfizer. Cabral não aceita palanque duplo para Dilma no Rio e diz que, se o senador Lindbergh Farias (PT) insistir em ser candidato a governador, o PMDB-RJ estará fora da campanha à reeleição da presidente. Cabral quer lançar no Rio seu vice, Luiz Fernando Pezão.

Diplomático, Marco Antônio, que também esteve no jantar em Brasília, prefere falar em manter a aliança. "No Rio de Janeiro tenho certeza que o problema tem solução. Acredito no diálogo. Voto na presidenta Dilma, a Juventude (do PMDB) vota na presidenta. Estamos com ela em nível nacional, 100%."

O estilo é conciliador, mas também contundente ao lembrar que os petistas foram beneficiados pela aliança e, portanto, não teriam do que reclamar. "Se você pegar o PT de 2007 e o de 2013, é outro partido. Tinha no máximo cinco prefeituras, hoje tem 11, incluindo Niterói, onde o governador Sérgio Cabral e Pezão foram fundamentais. Duas secretarias do Estado são ocupadas por deputados estaduais do PT, que fazem um grande trabalho. O PT tem a vice-prefeitura da capital, a aliança foi boa para os dois partidos", diz.

O impasse adia decisões de pai e filho. Se dependesse do presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, Marco Antônio seria candidato a deputado federal em 2014. O plano esbarra na exigência legal de que Cabral deixe o cargo até abril para o filho disputar a eleição. O governador, no entanto, tem dito que só sairá no último dia do mandato.

Cabral estimula a vida partidária do filho, que, além de político, é vascaíno e mangueirense como o pai. Mas faz questão que Marco Antônio termine a faculdade, no fim de 2014.

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