JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h10

a campanha

De volta das férias na Europa, Eduardo Campos desembarca em Brasília na próxima sexta-feira para retomar o seu projeto nacional de candidatura à Presidência. Ele vai discursar na abertura de um evento que reunirá, na capital federal, os 443 prefeitos eleitos do PSB. Com a bandeira do "novo federalismo", ele defende a sedutora tese da redistribuição do ICMS para favorecer municípios menores. Os prefeitos de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e do Recife, Geraldo Júlio, cujas eleições aumentaram o cacife de Campos, pegam uma carona no evento, falando aos prefeitos após o governador.

No ataque

Noutro movimento, Campos trouxe de volta à Brasília o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), boicotado pelo PT no governo do gaúcho Tarso Genro, onde era secretário de Infraestrutura. Albuquerque volta para atuar como atacante de Campos e deve ser o líder do PSB na Câmara no próximo ano. Ele garante ter deixado R$ 1,7 bilhão em investimentos em 23 meses de secretariado, apesar de esvaziado politicamente.

Em alta

A presidente Dilma Rousseff disse a interlocutores que pretende manter nos cargos os líderes do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), apesar do estilo rude de ambos. O Planalto avalia que a atuação deles reduziu o número de "jabutis" nas medidas provisórias. Seus antecessores, Romero Jucá (PMDB-RR) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), eram bons negociadores, mas muito "concessivos" na visão do Planalto, segundo governistas.

Recuo

Depois de confrontar o Planalto com pautas incômodas o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), deve desistir do projeto que extingue o fator previdenciário. Do contrário, segundo o governo, a previdência urbana voltaria a ser deficitária em cinco anos.

Em que pesem os esforços do governo para isolar a candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG), a quem pretende como único adversário em 2014, a movimentação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mantém o quadro sucessório em suspense e o PMDB em guarda.

Na medida em que não fecha a possibilidade de concorrer em 2014, Campos produz movimentos internos no governo que incomodam especialmente ao PMDB, atento aos riscos de perda de território diante de um eventual avanço nas negociações do PT com o governador, que o faça manter o projeto original de candidatura em 2018.

O PSB faz o clássico movimento político de deixar o terreno preparado para levantar voo já na próxima eleição presidencial, caso as condições de clima e temperatura se mostrem favoráveis. Ou seja, se Dilma tiver reduzido seu hoje indiscutível favoritismo - seja por um declínio da economia ou por outra razão ainda não detectável.

Enquanto isso, Eduardo Campos busca dar consistência ao seu projeto, fortalecendo-se no meio empresarial (ver matéria abaixo) e animando o auditório político, estimulando todas as leituras acerca de sua movimentação.

Nesse contexto, tanto pode apoiar a reeleição de Dilma, para ser candidato em 2018 com seu apoio, como pode antecipar a candidatura.

Se disputar com Aécio e Dilma em 2014, pode forçar um 2.º turno e aumentar seu cacife junto ao governo. Se abdicar da disputa, poderá cobrar o lugar de vice de Dilma, hipótese que tira o PMDB do sério, ainda que o cargo tenha poder apenas simbólico.

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