Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'São Paulo tem neste momento dois importantes líderes nacionais: Doria e Covas'

Em entrevista ao 'Estadão', Bruno Araújo afirma que o eleitor confirmou que quer 'distância dos extremos' e que há conversas por frente em 2022

Entrevista com

Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 11h21

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, de 48 anos, disse em entrevista ao Estadão que as urnas pediram moderação em 2020, o que deve levar, em sua opinião, os líderes políticos a se afastarem de posições consideradas extremas. "O eleitor confirmou que quer distância dos extremos. É contra esses extremos na área comportamental e que faz agressões às instituições que o PSDB tem que falar de forma mais firme", afirmou.

Segundo o dirigente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é o único nome da sigla colocado para concorrer à Presidência da República em 2022. Mas "respeitando o ambiente da pulverização de alternativas no nosso campo", o centro. Segundo Araújo, porém, a eleição na capital paulista faz Bruno Covas emergir como uma liderança nacional. "A chegada de Bruno Covas com a benção desses mais de 3 milhões de votos entrega um novo líder ao Brasil. São Paulo tem neste momento dois importantes líderes nacionais." 

Sobre a eleição para a presidência da Câmara, no início do ano que vem, Araújo diz que o resultado não terá, necessariamente, um efeito sobre a eleição de 2022, mas a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) deve aglutinar, de acordo com o dirigente tucano, "PSDB, Democratas e partidos do campo da esquerda".

Em 2018, o discurso da negação da política ajudou a eleger Jair Bolsonaro e outros nomes. A população voltou a acreditar na política em 2020?

Tudo isso faz parte dos ventos que sopram em direções diferentes a cada processo eleitoral. É possível que 2020 tenha iniciado um novo momento, no qual o eleitor voltou a optar por nomes que se dedicaram à vida pública para voltar a ocupar o espaço do exercício do poder municipal. O exemplo do segundo turno na maior cidade da América Latina é caricato disso. As escolha por dois jovens que fazem política, cada um seu campo, desde sempre. E há um nítido novo momento do processo eleitoral em 2020. O eleitor fez opções muito claras por posições moderadas.

O PSDB vai intensificar a oposição a Bolsonaro no Congresso?

Esse é um recado das urnas. O eleitor confirmou que quer distância dos extremos. É contra esses extremos na área comportamental e que faz agressões às instituições que o PSDB tem que falar de forma mais firme.  

A eleição da presidência da Câmara dos Deputados pode ser o primeiro passo na formação de um bloco de oposição ao presidente Jair Bolsonaro em 2022? Já existe algum nome na mesa para a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ)?

O coordenador do processo de sucessão na Câmara é o Rodrigo Maia. Não há muita correlação entre as alianças que se dão para a eleição do presidente da Câmara com a eleição presidencial, mas não estou dizendo que isso não tenha relevância. Nós podemos ver votando juntos o PSDB, Democratas e partidos do campo da esquerda. 

O governador João Doria (PSDB), o ex-ministro Sergio Moro, o apresentador Luciano Huck e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), têm mantido conversas sobre uma possível união do centro para 2022. Como o PSDB se insere nessa construção? Doria desponta como o nome que pode encabeçar esse movimento?

O PSDB se insere como um dos mais importantes protagonistas e como o partido que polarizou a política nacional desde 1994, com exceção do tropeço de 2018. Nas duas últimas eleições municipais, o PSDB foi o partido mais votado do Brasil. O PSDB oferece nomes de qualidade nessa discussão, entre eles quem se configura como o mais intenso e presente é o governador de São Paulo, mas respeitando o ambiente da pulverização de alternativas no nosso campo. O PSDB não participa com seu ativo político e eleitoral levando prato feito. O DEM teve um belíssimo desempenho  e o MDB confirmou sua vocação de pulverização por todo território nacional.

A eleição de Bruno Covas é uma vitória do projeto presidencial do governador João Doria?

Por vias indiretas, o governador João Doria tem o prefeito da maior cidade da América Latina como seu aliado. Isso é um ganho. Mas não vamos misturar. O vitorioso dessa eleição foi o Bruno Covas. Ele é o grande artífice da vitória do último domingo. Covas sai da condição de um prefeito substituto constitucional para a de alguém abençoado pelo voto. Essa vitória entrega a ele autoridade e liderança, não só como prefeito mas também como um dos mais importantes protagonistas da política nacional e do PSDB.

O PSDB tem agora então em São Paulo dois líderes de fato? Até a eleição municipal, Doria era o líder incontestável do partido no estado.

Sim. A chegada de Bruno Covas com a benção desses mais de 3 milhões de votos entrega um novo líder ao Brasil. São Paulo tem neste momento dois importantes líderes nacionais.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, é também um nome do PSDB para disputar o Palácio do Planalto?  

Todos os nossos governadores, senadores e quadros nacionais são sempre alternativas postas. Mas, de forma objetiva, o único nome que nós temos posto até aqui e que tem exercitado isso de forma firme e competente é o governador João Doria.

O caminho do Doria para 2022 será com o DEM em São Paulo e no Brasil?

Essa é uma relação de muitos anos que se dá por afinidade política e sem imposição. Enquanto isso estiver mantido a aposta é que sigamos sendo parceiros em eleições nacionais, estaduais e municipais. Essa relação é muito franca e sem subordinação. 

O prefeito Bruno Covas disse que o PT jogou o PSDB à direita e que chegou a hora do partido reencontrar as suas teses. O sr. concorda com ele?

Concordo plenamente. O PSDB que eu imagino é o do Bruno Covas: moderado, sensato e que respeita o adversário. Foi assim que o PSDB foi fundado. Essas são as nossas bases. A eleição de Bruno aponta um caminho para o nosso projeto de 2022.

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