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O desafio da unidade

Na semana que passou, a jocosa sentença do marqueteiro João Santana, estabelecendo a antropofagia dos anões, aplicada aos partidos menores unidos em oposição ao governo, ameaçou materializar-se no primeiro conflito entre PSDB e PSB.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h07

A desavença foi um ataque direto do PSB em território geopoliticamente estratégico para Aécio Neves, que precisa sair com expressivas votações em Minas e São Paulo, este último, tradicional reduto tucano e pivô do estremecimento. A intervenção de Eduardo Campos desautorizou a iniciativa do presidente da secção paulista do PSB, Márcio França, de propor palanque duplo no Estado.

Fustigado em Minas por uma ação sem freios da presidente Dilma - que em dois meses visitou o Estado cinco vezes -, Aécio não esperava, pelo menos tão cedo, uma ofensiva que confirmasse o vaticínio de Santana. Acusou o golpe através do presidente regional do partido em Minas, e candidato ao governo estadual, deputado Marcus Pestana, que acusou França de leiloar o apoio do PSB.

A iniciativa de Campos de procurar Aécio provavelmente repôs a parceria nos termos da estratégia de fazer as duas candidaturas atuarem como propulsoras do segundo turno, meta que precisa ser conciliada com as diferenças regionais. Mesmo porque, no contexto das dificuldades regionais, o problema do governo, omitido por João Santana, é bem maior e sugere, em complemento à tese do publicitário, uma "antropofagia de gigantes". Os problemas do governo são proporcionais à extensão e heterogeneidade de sua base, uma frente fisiológica mantida a caviar, para garantir a continuidade do projeto de Lula.

Dessa realidade, o Rio de Janeiro é o cenário mais visível - porém não o único - da complexidade de satisfazer os interesses de PMDB e PT. Empurrada goela abaixo do governo estadual, no rastro do declínio eleitoral do governador Sérgio Cabral, a candidatura do petista Lindbergh Farias é um desafio à preservação regional da aliança nacional.

Pode reservar a Dilma um boicote desastroso do PMDB - cuja capilaridade no Estado o torna peça decisiva para qualquer candidato. O partido avalia que a desaprovação popular não é ao governo, mas à figura do governador, e reivindica a primazia na aliança.

No Maranhão também a saia justa veste o PT. Diante da frente de 60% do candidato de oposição ao clã Sarney, o presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B), o Planalto decidiu abandonar o aliado corresponsável pela estabilidade do governo Lula nos momentos mais difíceis.

No Recife, o PT está dividido na ordem de passar à oposição. Como se vê, a administração das alianças é mais difícil ao governo do que a Campos e Aécio.

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