Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Análise: O debate da moderação

Palavras como pacificação e conciliação marcam encontro entre presidenciáveis à luz do atentado a Bolsonaro

Eduardo Grin*, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 21h46

No primeiro debate sem o candidato do PT e Bolsonaro, e à luz do atentado contra o postulante do PSL, a moderação do confronto político foi a marca. Palavras como pacificação, conciliação e oposição ao radicalismo, a negação do “nós contra eles” e da violência na política foram mencionadas por todos como essenciais para a democracia.

Esse é um bom indicador para uma campanha em que o enfrentamento vinha subindo o tom na disputa. A conferir se assim se manterá nas próximas semanas. Comparado com os debates anteriores, os candidatos foram mais propositivos e centrados em temas de interesse do eleitor, como saúde, educação, segurança, emprego e corrupção. Desse modo, cumpriu melhor a função de esclarecer os eleitores sobre propostas de governo.

Mas não sendo razoável criticar Bolsonaro nesse momento, o PT foi o mais criticado como o responsável pelos problemas do desemprego e da corrupção. Alckmin buscou ocupar esse espaço que Bolsonaro tem simbolizado melhor, mas sem a contundência que precisa para angariar votos do candidato do PSL. Sua narrativa de candidato da união nacional, reformas e estabilidade contra os extremos segue tendo pouco apelo eleitoral.  Ciro Gomes foi mais propositivo sobre dois temas centrais: educação e saúde; além de responsabilizar Alckmin pelo problema da segurança e o combate ao crime organizado. Debateu com Marina e o ex-governador de São Paulo e foi mais didático que ambos. Sua estratégia de dialogar com os eleitores lulistas e os indecisos foi mais eficaz do que as inserções pouco contundentes de Marina Silva, já que ambos disputam os votos desses dois segmentos na briga pelo segundo turno. Se há um vencedor nesse debate da moderação, esse foi o candidato do PDT.

Ao final fica uma questão: o debate foi menos polarizado em respeito a Bolsonaro ou será que sua ausência é responsável pela moderação? Precisaremos esperar o próximo encontro para conferir se essa inflexão veio para ficar, o que seria muito bom para a qualidade do debate na campanha onde os eleitores ainda se mostram muito reticentes.

* CIENTISTA POLÍTICO E PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE GESTÃO PÚBLICA DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS

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