O compromisso com o erro

Sob perspectiva histórica, a nota assinada pelos partidos da base aliada em solidariedade a Lula é um desastre completo. Por mais que se esforcem para dar ao conteúdo o limite da solidariedade ao ex-presidente, os dirigentes signatários da carta comprometeram suas biografias políticas ao emprestarem apoio à tese de que o julgamento do mensalão é um golpe contra a democracia, sentença que alcança o Supremo Tribunal Federal.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h05

O texto vai além do desagravo a Lula, acusado por Marcos Valério, na revista Veja, de chefiar o esquema, para insistir na negação de um fato que já produziu mais de uma dezena de condenações. O PT amplia seus ataques à mídia e ao STF como recurso eleitoral para reduzir a repercussão negativa do julgamento nas campanhas País afora.

A iniciativa, portanto, atende apenas ao PT e, se algum efeito positivo tiver, é restrito ao eleitorado histórico do partido. Já os que se associaram ao manifesto nada têm a ganhar, mas muito a perder, principalmente os que vinham conseguindo cumprir uma pauta que passa ao largo de tema tão desgastante, caso do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos.

Em curto e médio prazo, é quem mais perde: varrido pelo arrastão de solidariedade a Lula, entrou na agenda negativa. De olho no apoio do PT à sua candidatura presidencial, seja lá quando se der, vestiu a saia justa e assinou o papel.

Associar sua imagem ao mensalão é desastroso no momento em que o governador busca a visibilidade nacional. Afinal, o PT tem muitos culpados para seus erros, entre os quais a "mídia golpista".

Mas o réu é ele.

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