O candidato falante, o musical, o humilde e a mãe de família

Análise: Cristina Padiglione

O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h02

Não é preciso gastar dinheiro com marqueteiro para saber que horário eleitoral de primeiro turno mistura vários candidatos num balaio de edição quase sempre histérica de meia hora. Daí a necessidade de avisar o espectador onde começa o show de um e onde termina o do outro. Premissa básica para esse contexto é a clássica abertura, "começa aqui o programa" do fulano. PT e PSDB fizeram a lição de casa com folga, mas é justamente quem menos dispõe de tempo para se apresentar que mais precisa se anunciar com clareza. Carlos Giannazi (PSOL) foi um dos que entraram em cena sem ser anunciados.

Fernando Haddad (PT) fugiu do estúdio. Cruzou o Viaduto do Chá e cercanias, passou por cima das Avenidas 23 de Maio e Paulista, além de ruas da periferia, sempre com a câmera à sua frente. Fosse a sua fala mais ofegante e o passo mais ligeiro, confundiríamos a cena com aqueles comerciais de celular protagonizados por personalidades bem-sucedidas da vida real. A campanha cravou um bom refrão de jingle, com letra curta, rimando Haddad com cidade.

Já José Serra (PSDB) foi apresentado ao som de um banquinho e um violão, combinação pouco convidativa para rufar pedido de votos. Mas quem viu a edição até o fim não perdeu por esperar. Lá veio o jingle de fato, e o candidato emprestou seu nome ao refrão que tem sido repetido à exaustão na novela das 9 da Globo, Avenida Brasil: "Eu quero tchu, eu quero tchá" pulou do ringtone do celular da Carminha (Adriana Esteves) para os versos do tucano. Só faltou o "oi, oi, oi".

E como o PT tem de tornar o desconhecido conhecido e o PSDB tenta driblar a rejeição de seu conhecido representante, Haddad teve rosto e voz na tela por tempo quase integral, enquanto Serra cedeu a vez, em várias ocasiões, à locução de terceiros. Mais que Serra, Gabriel Chalita (PMDB) demorou a surgir em carne e osso, tendo sido antes apresentado por terceiros. Seu jingle tropeça no efeito "faroeste caboclo", aquela letra gigante que até conta uma história, mas ninguém consegue decorar.

O candidato Celso Russomanno (PRB) primou pela imagem do humilde, enquanto uma edição de imagens endossava cenas de afeto entre ele e populares. Soninha Francine (PPS) buscou viés familiar, a fim de valorizar tais conceitos, com a presença das filhas a defender as boas intenções da mãe.

Menos divertido que o espaço aberto aos candidatos a vereador, onde o desfile é mais eclético e debochado, o espaço dos prefeituráveis não deixa margens para o humor. Longe disso.

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