'Nunca conversei com doadores' 'Ele fez acordo com a milícia'

Cerca de 78% dos recursos de sua campanha vêm de doações ocultas. Por que seus financiadores não querem aparecer?

Entrevista com

RIO, RIO, RIO, RIO, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h07

Isso tem que ser perguntado para o Pedro Paulo (deputado federal, ex-secretário da Casa Civil e coordenador de campanha). Eu dividi muito. A burocracia da campanha eu não olho. Confesso que não faço a menor ideia. Não conversei com um doador e não pedi ajuda para ninguém.

O senhor já foi afilhado político do Cesar Maia e do Sérgio Cabral. A reeleição pode representar autonomia e luz própria?

Nesse meio tempo, ainda fui chamado de afilhado do José Serra. Isso tudo me permite concluir que eu não tenho padrinho. Nunca tive. Se tem uma coisa que eu não tenho problema na vida é de baixa autoestima.

Depois do caso Delta-Cachoeira, Cabral é um reforço ou um peso para o senhor?

O Cabral é sempre um reforço. O governador que fez a transformação que ele fez no Rio é sempre um reforço. Tem um problema que aconteceu ali e que ele reconheceu o erro. O problema na política é quando não reconhece. Não podia estar convivendo com um sujeito que é empresário, que presta serviço para o Estado.

Seu principal adversário o acusa de ser leniente com a milícia. O prefeito pode fazer mais contra esses grupos paramilitares? Não acho que poderia ter feito mais. Acho que o candidato é muito leviano quando faz esse tipo de afirmação. Essa situação de ter visto um candidato citado na CPI das Milícias filiado ao PSOL mostra bem o que é isso. Claro que não acho que o Freixo tem ligação com a milícia. A verdade é que ninguém é dono da verdade. / A.J.

Por que a 'Primavera Carioca' ainda não floriu?

A 'Primavera Carioca' já está acontecendo. Essa é uma campanha histórica, que devolveu à juventude a vontade de fazer política. A gente tem 1 minuto e 22 segundos na TV, está enfrentando a maior máquina eleitoral já montada na história do Rio e está polarizando no 1.º turno. Levar a eleição para o 2.º não determina o sucesso da campanha. A vida não acaba no dia 7.

Durante a campanha, foi revelado que havia um candidato ligado a milicianos na nominata do PSOL. Isso não o tornou refém de seu próprio discurso maniqueísta?

São casos diferentes. Eles também têm candidatos a vereador citados no relatório da CPI das Milícias. Mas esse não é um debate moralista. O debate é sobre definição do grupo político que você chama para governar. Não debato se o Eduardo (Paes) é ou não honesto. Ele, como prefeito, fez acordo com a milícia ao dar licença para as vans através de cooperativas.

Por que sua campanha não chegou nas classes populares?

Mais de 70% da minha agenda é em bairros populares. Não tem a ver com a renda, mas com acesso à informação. Pessoas que têm maior acesso ficam menos reféns do poder econômico desses grupos. A máquina eleitoral se faz mais forte nos setores mais empobrecidos da sociedade.

Campanha sem partido e aliança com a sociedade civil pautaram as candidaturas de Marina Silva (2010) e de Fernando Gabeira (2008). Foram bem, mas não ganharam...

É uma construção. Um debate que quero fazer depois da eleição é sobre a reforma política. Mas esse Congresso não tem condição de fazer a reforma. / A.J.

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