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Número de denúncias de discriminação cresce no período eleitoral

Depois de anúncio da reeleição de Dilma Rousseff, SaferNet Brasil registra criação de 305 páginas com manifestações preconceituosas

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 16h30

Em apenas quatro horas - das 20h à 0h deste domingo -, a organização SaferNet Brasil recebeu denúncias da criação de 305 páginas na internet com manifestações de ódio e discriminação. O período coincide com a apuração dos votos do segundo turno das eleições e o anúncio da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). A polarização crescente foi marcada pela manifestação de internautas que muitas vezes publicaram opiniões de cunho preconceituoso, principalmente com ofensas contra nordestinos.

O número de criação de páginas representa um aumento de 342,03% em relação ao primeiro turno das eleições e de 662,5% em relação ao mesmo dia em 2013 (quando foram denunciadas 40 novas páginas). A expectativa é de que o total seja ainda maior nesta segunda-feira, 27, primeiro dia após o resultado do pleito, segundo a SaferNet Brasil, associação civil de direito privado, com atuação nacional, sem fins lucrativos ou econômicos.

O recorde de denúncias foi registrado em 29 de setembro, após o discurso de Levy Fidelix (PRTB) no debate da TV Bandeirantes, apontado como homofóbico, que desencadeou uma grande reação dos internautas. A entidade registrou um número recorde de denúncias duplicadas (feito por mais de um usuário): 1002. Neste domingo, foram feitas 116.

O presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares Nunes de Oliveira, afirma que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal têm acesso ao banco de dados das infrações registradas pela entidade. "Quando você começa a montar a cadeia de transmissão, muitas têm início em perfis falsos, que são operados por algumas células neonazistas ou por pessoas com interesse de desestabilizar o País. A investigação da Polícia Federal vai reconstruir essa cadeia de transmissão e procurar focar a investigação e os esforços na atuação desses robôs", explica.

Segundo Oliveira, alguns usuários participam de ações promovidas por grupos extremistas sem ter a consciência de que estão cometendo um crime com pena prevista de 3 a 5 anos de prisão. Ele também aponta que muitos internautas devem ser indiciados em decorrência do "tsunami" de mensagens de ódio que invadiram as redes sociais na noite deste domingo. "O eleitor que está inconformado precisa ficar atento para não servir como correio de transmissão e não fortalecer e legitimar a ação de grupos de extrema-direita", alerta.

Até o momento, a Polícia Federal não possui um balanço das denúncias em seu sistema.

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