Ed Ferreira/AE
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Novo presidente da Delta vai ao Senado e entrega documentos

Carlos Verdini andou por mais de 40 minutos pelos corredores da Casa e afirmou que construtora vai ajudar na investigação

Leonêncio Nossa, de O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h07

BRASÍLIA - O engenheiro Carlos Alberto Verdini, novo presidente do Conselho de Administração da Delta Construções, fez ontem uma jogada de marketing. No início da tarde, ele esteve no Senado para entregar na secretaria das CPIs um pequeno embrulho. O pacote conteria, segundo ele, "documentos necessários" para a CPI do Cachoeira.

Nos 40 minutos que andou pelos corredores do Senado e esteve na presidência da Casa, Verdini atraiu um batalhão de profissionais da imprensa, causou tumulto e saiu sem responder às perguntas sobre o envolvimento da empresa no suposto esquema de corrupção. Ele não comentou nem mesmo quais seriam os documentos que foram entregues, alegando que precisava preservar os colaboradores da Delta.

Diante de qualquer pergunta, Verdini repetia: "Estamos à disposição para ajudar numa investigação profunda". A frase era um "mantra" combinado com advogados. A visita, portanto, teve apenas caráter midiático, em um momento em que a empresa tenta demonstrar isenção e transparência, uma vez que possui muitos contratos de obras com o governo.

Questionado sobre a prisão do ex-diretor da Delta Cláudio Abreu, ocorrida ontem, Verdini respondeu que "isso está sendo tratado pelos advogados".

Durante a visita, o executivo não passou pela sala de cafezinho dos senadores, onde lobistas costumam abordar os parlamentares para defender seus interesses. Verdini também evitou comentar o afastamento temporário de Fernando Cavendish e Carlos Pacheco da cúpula da empresa. "Temos de preservar nossos 35 mil colaboradores e a continuidade de uma empresa de meio século", limitou-se a dizer Verdini.

Comunicado. Assessores da Delta divulgaram comunicado de duas páginas com 11 pontos. No documento, a empresa "lamenta" episódios ligados a Cachoeira envolvendo seus funcionários. "Foi determinada a realização de ampla auditoria nos assentamentos da empresa para averiguar todas as práticas de responsabilidade da diretoria do Centro-Oeste. O objetivo é o de verificar, com base nos dados imediatamente disponíveis à empresa, em que extensão essas ações foram executadas, burlando os procedimentos de controle praticados na companhia", diz um dos pontos.

No comunicado, a Delta destaca ainda que as conclusões e documentos da auditoria serão colocados à disposição das autoridades. Em outro ponto, a empresa ressalta que Fernando Cavendish e Carlos Pacheco decidiram licenciar-se da administração da companhia pelo prazo necessário para garantir a isenção da auditoria. "A Delta Construções tem convicção de que o empenho de seus mais de 30 mil empregados que diariamente comparecem a seus postos de trabalho nas 195 obras atualmente em andamento em todo o Brasil será fundamental para superar as dificuldades neste momento enfrentadas", cita o texto.

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