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Novo ministro quer unir PDT a Dilma

Escolhido anteontem para o Trabalho, Brizola Neto terá como missão acabar com as divisões da sigla e reaproximá-la da presidente

ISADORA PERON , BEATRIZ BULLA / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2012 | 03h05

Apontado por correligionários como uma escolha pessoal da presidente Dilma Rousseff, o novo ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT-RJ), reiterou ontem que o seu primeiro desafio à frente da pasta será unificar o partido. Foi a própria presidente quem havia dado essa missão a ele.

Ao participar da comemoração do Dia do Trabalho em São Paulo, ele evitou falar de questões específicas relativas a sua nova função e minimizou o fato de o seu nome não ser unanimidade dentro da sigla. "Será importante o partido dar essa sinalização de unidade agora. E eu creio que não vamos ter grandes dificuldades nisso, porque existem questões muito maiores nos unindo do que as pequenas divergências dentro do processo de escolha de quem seria o ministro."

O deputado Paulinho da Força (PDT-SP), presidente da Força Sindical, também negou que o PDT esteja "rachado" com a indicação de Brizola Neto e disse que a falta de consenso em torno de um único nome é algo natural. "Havia três candidatos em um partido que é (de tamanho) médio, então a tendência é de ter um puxando para um lado e outro para o outro", explicou.

Paulinho insistiu ainda que a nomeação de um novo ministro filiado ao PDT não vai ser usada como moeda de troca para negociar uma futura aliança em torno da candidatura do petista Fernando Haddad em São Paulo. "Eu sou candidato (à Prefeitura) e na próxima segunda-feira me licencio da Força Sindical para tratar exclusivamente da campanha", disse.

O próprio Haddad afirmou ontem que não trabalha com o apoio do PDT para o primeiro turno das eleições deste ano. "As conversas estão mais avançadas em relação ao PR e ao PSB. E eu acredito que o PDT se coloca na perspectiva de lançar candidato próprio", disse.

União. O palco da festa organizada pela Força Sindical foi usado para tentar mostrar a união do PDT com o governo federal. As declarações dos líderes políticos tentaram expressar disposição em colocar fim no período de estremecimento entre PDT e PT, que teve como clímax a saída do ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT), alvo de denúncias de corrupção, em dezembro do ano passado.

O apoio do PDT é considerado importante pelos petistas não só para reforçar a base aliada, mas também para dar força ao PT nestas eleições municipais, sobretudo nas disputas contra o PSDB.

Em março, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) esquentou a briga pelo apoio do partido ao nomear para a Secretaria do Trabalho o pedetista Carlos Ortiz. Além da guerra com o governo federal, o PDT também estaria enfrentando uma crise interna, que veio à tona com a divulgação de que a nomeação de Brizola Neto para o cargo de ministro não agradou a todo partido.

Nomeação. A indicação do deputado para o Ministério do Trabalho foi anunciada anteontem pelo Palácio do Planalto numa tentativa de diminuir as críticas de que o governo teria deixado a pasta à deriva após a saída de Lupi do cargo.

Até então, o ministério estava sendo comandado interinamente por Paulo Roberto Santos Pinto. As centrais sindicais mandaram, então, um recado ao Planalto de que o abandono da pasta seria o principal tema abordado neste 1.º de maio. Até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia aconselhado Dilma a não deixar a pasta vazia nas comemorações.

O convite a Brizola Neto foi feito pessoalmente pela presidente. Ela bateu o martelo após se reunir com Lupi, que está no comando da sigla. Sobre os rumores de que o ex-ministro não teria aprovado a escolha de Brizola Neto para o cargo, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) foi categórico: "Quem escolhe o ministro é a presidente da República. O que ela fez foi informar ao Lupi da sua decisão, após um período de espera e de conversa". Carvalho, no entanto, negou que tenham ficado rusgas entre o pedetista e a o governo. "A conversa com o Lupi foi muito agradável. Agora nós vamos buscar uma aproximação com todo o PDT."

A posse de Brizola Neto está marcada para amanhã. Aos 33 anos, ele será o mais novo ministro da Esplanada. Além dele, o PDT apresentou os nomes do deputado Vieira da Cunha (RS) e do secretário-geral da sigla, Manoel Dias. O partido está à frente da pasta desde o governo Lula.

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