Novo ministro consolida PR na coalizão, afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff empossou ontem o novo ministro dos Transportes, César Borges, a quem atribuiu a missão de consolidar o papel do PR na coalizão de seu governo. A sigla, que acaba de ser reabilitada pelo Palácio do Planalto por causa das eleições do ano que vem, foi alvo da "faxina" administrativa promovida no início do mandato de Dilma, após as denúncias que levaram no ano passado à queda de Alfredo Nascimento do comando da pasta.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2013 | 02h08

"O César Borges consolida a participação do Partido da República na nossa coalizão de governo", discursou Dilma. "O PR é um partido que está conosco desde o dia em que o grande brasileiro José Alencar concorreu à vice-presidência da República em dobradinha com o ex-presidente Lula. O que nos levou à vitória nas três eleições que se seguiram", afirmou a presidente.

A cerimônia, curtíssima e atípica, não contou com discursos nem do novo titular da pasta, que ocupava a vice-presidência de governo do Banco do Brasil desde maio de 2012, nem de seu antecessor, Paulo Sérgio Passos - que teve como "prêmio de consolação" a indicação para assumir diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Além de Nascimento, prestigiaram a posse do novo ministro os deputados federais Paulo Maluf (PP-SP) - que consta na lista de procurados da Interpol (Polícia Internacional) e que será investigado pelo Supremo Tribunal Federal para apurar crime de caixa 2 na campanha de 2010 -, Natan Donadon (PMDB-RO) - alvo do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que defende sua prisão imediata - e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - denunciado por Gurgel pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato.

Desagravo. Borges foi aplaudido quando disse que o ex-ministro e hoje senador Alfredo Nascimento foi injustiçado ao ter sido faxinado da pasta em meio a escândalos em 2011. "O senador deve estar pensando como é voltar para este ministério onde já trabalhou e como é estar diante dessa plateia que hoje o aplaude. Hoje se corrige uma injustiça cometida contra Vossa Excelência, que foi denunciado mas sem que nada, nada, nada fosse provado." O novo ministro falou em "resgate" da imagem de Alfredo Nascimento e na nova "participação" do senador e presidente do PR nos Transportes. Em entrevista, Borges disse ainda que fará "o que puder para azeitar a relação do PR com a presidente Dilma Rousseff".

O PR tem a oferecer a Dilma 1 minuto e 10 segundos na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A presidente viveu uma "novela" para definir o nome que substituiria Passos. Dilma resistiu o quanto pôde a trocá-lo e avisou a Nascimento, presidente do partido, que aceitaria a substituição apenas se o escolhido fosse Borges. O PR ameaçou apoiar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), caso não fosse contemplado.

Apesar da troca nos Transportes, não deverá haver mudanças no comando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Valec, segundo o Estado apurou. "Ele (César Borges) contará hoje com um time muito mais afinado. Esse time que está aqui presente hoje, o general que dirige hoje o Dnit, o general Fraxe (Jorge Fraxe, diretor-geral do Dnit), e o Josias (Josias Sampaio, diretor-presidente da Valec), será grande contribuidor para esse desafio", disse a presidente. / RAFAEL MORAES MOURA, ANNE WARTH, DENISE MADUEÑO e FÁBIO FABRINI

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