'Nova agenda, a partir do dia 14, vai tirar 2 milhões dessa condição'

Ministra explica que estas famílias já estão no cadastro único, mas vão passar a receber um complemento de renda

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2012 | 03h10

A agenda do Brasil Sem Miséria, o mais ambicioso programa do governo Dilma Rousseff na área social, está cada vez mais entrelaçada com a agenda de crescimento econômico. Quem diz isso é a própria ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, uma das mais prestigiadas pela presidente.

Qual é a avaliação do primeiro ano do Brasil Sem Miséria?

Todas as metas foram atingidas e superadas, até mesmo os pactos regionais, na complementação de renda, com governos estaduais e prefeituras. A agenda tem dado tão certo que decidimos aumentar drasticamente o Bolsa Família, com o Brasil Carinhoso, que vai ter um impacto importante sobre o consumo, embora o objetivo principal não tenha sido esse. Com a nova agenda, a partir do dia 14, destinada a famílias com crianças de até 6 anos e 11 meses, 2 milhões de famílias vão sair da extrema pobreza. Elas já estão no cadastro único, mas que passam a receber um complemento de renda.

O governo falou muito em incluir famílias em sistemas produtivos. Como vai esse lado?

Estamos na rua com cursos destinados a qualificar profissionalmente essa população em situação de pobreza e extrema pobreza. Começamos em março, oferecendo 200 mil vagas. Temos registradas 80 mil matrículas e pré-matrículas. São vagas ofertadas no Senai, Senac e institutos federais, que antes não atendiam a esse público sem escolaridade. Exigia-se segundo grau para curso de jardineiro, pintor. Com esse novo viés, o público do cadastro único tem maiores oportunidades de trabalho.

E o microcrédito?

Essa é uma agenda recente, com o Programa Crescer, que também faz parte do Brasil Sem Miséria. Graças a alterações na legislação sobre microcrédito, foram reduzidas as taxas de juros e as exigências de garantias bancárias e criou-se uma linha para o público de baixa renda. Não é para consumo, mas para produção. Pode ser usada pela costureira que quer uma máquina nova, pela dona de casa que vende suco e precisa de um liquidificador. Também estamos montando com o Sebrae uma agenda diferenciada para esse público, que tem muitas estratégias de sobrevivência. Não são pessoas sem ganho nenhum. Há mulheres que usam a cozinha para fazer bolo e vender na construção ao lado.

Seu ministério ajuda o governo a aquecer a economia?

O mundo todo tenta entender como o Brasil conseguiu aquecer e fortalecer a economia com base no mercado interno. Há várias explicações, que envolvem salário mínimo, formalização de empregos, Pronaf, programas de compra de alimentos. Os programas de transferência de renda também são parte importante no processo e é por isso que o governo está fortalecendo o Bolsa Família. O objetivo não é fortalecer a demanda agregada, mas esse impacto acaba acontecendo.

Fala-se muito na dinamização da economia do Nordeste.

Não é só lá. Tem impacto também em São Paulo. O Estado mais rico da federação tem 1,2 milhões de inscritos no Bolsa Família, com transferência de renda em benefícios continuados de R$ 6,5 bilhões por ano. / R.A.

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