'Nossos jovens estão encurralados, vulneráveis e com portas fechadas'

Umas dos principais líderes indígenas no País e diretor da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Marcos Apurinã foi articulador na Rio+20 dos protestos que reavivaram os debates sobre a questão indígena.

Entrevista com

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2012 | 03h08

Quais problemas enfrentam os índios em áreas urbanas?

A sociedade vê como uma invasão de índios, mas a causa disso é a omissão do Estado. Não existe política pública. Como eles vão voltar às aldeias, se educação e saúde não existem? Nossos jovens vivem encurralados, as portas são fechadas. Um problema grande é a vulnerabilidade em relação ao álcool, a prostituição, os suicídios, a tecnologia, em função de um conhecimento que vem atropelando os costumes indígenas.

A questão das demarcações ainda é a principal reivindicação?

Demarcar terras somente não é suficiente. Tem que fazer regulamentação, sustentabilidade do território, vigilância e proteção, entre outras coisas. Não temos a governança dos nossos territórios, pois são áreas da União. E o governo está impondo que, para demarcar terras, tem que ter hidrelétrica. A prioridade é explorar os recursos naturais, que nós cuidamos durante anos e não podemos usufruir. Nos sentimos ameaçados.

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