'Nossa diferença é a aliança com o povo', afirma Lula

Em encontro do PT no Sul, ex-presidente critica imprensa e diz que até candidato contra Dilma foi inventado

Elder Ogliari / Porto Alegre, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2013 | 02h03

Em um momento em que a presidente Dilma Rousseff se desdobra para aprovar a Medida Provisória dos Portos, enfrentando problemas com o principal aliado, o PMDB, seu antecessor e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a aliança do PT e do governo "é com o povo".

"A melhor solução para acabar com a miséria é colocar o pobre no orçamento da União", disse Lula em evento de comemoração dos dez anos de governo do PT. "Ponte, viaduto todos fazem e isso é igual. Nossa diferença é a aliança com povo", completou o ex-presidente, tendo ao lado a presidente Dilma.

Para Lula, adversários do governo e a imprensa têm tratado o Brasil com pessimismo. O ex-presidente chegou a lembrar os altos índices de aprovação à sua sucessora para dizer, em tom de brincadeira que, se a imprensa fosse favorável, ela chegaria "à unanimidade".

Dirigindo-se a Dilma, afirmou que ela sofreu até mais preconceitos que ele próprio. E seguiu nas reclamações, dizendo que até candidato contra ela inventaram, sem citar nome de ninguém. Lula observou ainda que, depois da recente exibição de um programa do PT na televisão, o jornal de uma emissora entrou com um noticiário que parecia mostrar "que o Brasil tinha acabado" por causa da inflação que seria abordada nas matérias daquele dia.

"Acho que determinados setores da comunicação estão exilados dentro do Brasil, eles não estão compreendendo o que está acontecendo". Por fim, Lula desafiou quem tiver dúvidas sobre o que o PT fez pelo País a fechar os olhos e imaginar o que seria do Brasil sem os dez anos do PT no poder.

Dilma foi a última a discursar e não falou de sucessão. Preferiu pegar a deixa de Lula e seguir descrevendo aspectos da política internacional do Brasil. "País que tem mais peso tem que ser mais generoso, isso eu qualifico de 'princípio Lula de relações internacionais'", declarou, acrescentando: "Tem-se que entender que a melhor resposta em política internacional é a cooperação com intensificação do comércio".

Pessimistas. A presidente também voltou seu discurso contra "os pessimistas" que teriam previstos problemas que não ocorreram. Disse que no cenário internacional o Brasil é respeitado por ter sido o País que mais criou empregos durante os anos de crise de 2008 a 2012 sem abrir mão do controle da inflação.

Também destacou que, ao contrário de algumas previsões, as ações da Petrobrás começaram a reagir e não houve falta de energia, como as previsões catastróficas ameaçavam no começo do ano, e nem haverá falta de estádios para as copas das Confederações, neste ano, e do Mundo, no ano que vem. "Asseguro que faremos uma das melhores copas neste País", prometeu.

Política externa. A edição de Porto Alegre da série de seminários que o PT teve como seu tema principal a política externa, mas os discursos foram dirigidos para os opositores. Um dos primeiros a falar, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) afirmou que "a oposição está sem rumo" e acusou-a de não ter propostas para um novo patamar social, de integração e de desenvolvimento.

Também viu isso como uma ameaça. "Quando a direita não tem projeto, quando se vê perdida em sua capacidade hegemônica, ela apela para a desconstituição da democracia, seja através de atos de força, como ocorreu em outros períodos, seja através da manipulação da opiniçao pública, do controle da informação que eles tentam realizar e frequentemente realizam através dos grandes meios de comunicação que tendem ao monopólio", afirmou, adiantando que o PT vai continuar construindo, inclusive com o empresariado, "um sistema de alianças que continue mudando o Brasil para melhor".

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