'Nós não precisamos de um Lula na campanha'

Para marqueteiro, Russomanno, que tem 25% das intenções de voto, já é um 'produto praticamente vendido'

Entrevista com

RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2012 | 03h02

O tempo de 2min12s é modesto, mas suficiente para quem tem em mãos um "produto pronto" como Celso Russomanno, candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo. É assim que o coordenador de marketing da campanha de Russomanno, o publicitário Ricardo Bérgamo, analisa o fato de ter o menor tempo de exposição na TV em relação aos seus principais adversários - José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), ambos com 7min39s no horário eleitoral gratuito, que estreia dia 21.

Até lá, a expectativa dos petistas é pela entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Haddad. Bérgamo, por enquanto, minimiza o "fator Lula" no cenário paulistano. "O Lula nunca conseguiu ganhar na cidade de São Paulo", diz o marqueteiro.

Qual será a estratégia para os primeiros programas eleitorais?

É mostrar que ele está pronto para trabalhar, para ser um administrador público eficiente e que tem capacidade de administrar a cidade.

Como vão apresentá-lo? Qual roupagem será dada a ele?

Não precisa dar roupagem. Para alguém que tem 20 anos de televisão não adianta querer inventar. O povo já o conhece. Agora o que vai ser colocado é que ele vai pôr toda essa experiência a serviço da cidade e do povo de São Paulo.

Há uma correlação do tempo de exposição na TV e a proporção de votos. Vocês têm pouco mais de 2 minutos de programa. Como vão contornar isso?

Você precisa pensar no todo da campanha. É pouco tempo? Depende de como você chega nesses 2 minutos. Vamos chegar na TV com 25% (das intenções de voto). Com esse número, não tenho a necessidade de vender um bom produto, porque esse produto já está praticamente vendido. Ele já está inserido no cenário eleitoral. Eu já consegui dar o primeiro passo na história. Hoje, consegui transformar os meus 2 minutos e pouquinho para algo que considero suficiente para me manter onde estou. Eu não preciso discutir o institucional, não preciso estar muito preocupado em responder a agressões ou coisas do gênero. Eu preciso consolidar o meu discurso de programa.

O PT aposta na entrada de Lula na campanha do Haddad.

O Celso não precisa de um Lula porque nós chegamos até aqui sozinhos. E eu não sei o que o Lula representa na realidade nesta eleição. Se amanhã o Lula entrar e der uma chacoalhada, vou pensar no que tenho que fazer em relação a isso. O Lula nunca conseguiu ganhar na cidade de São Paulo. Nem conseguiu eleger o Mercadante. Então precisamos entender o quanto é relevante esse apoio.

Vai ter mudança no programa eleitoral se as últimas denúncias contra Russomanno forem usadas na campanha na TV?

Não vou atacar ninguém, vou me posicionar de acordo com o que vier do lado de lá. Obviamente que se vier alguma coisa em que tenha que provar algo, vamos provar. E se, para provar, precisar mostrar quem é que fez, a gente vai ter que mostrar.

A campanha tinha vídeos que seriam usados como uma espécie de contragolpe.

Isso seria em caso de usarem a história do Edir Macedo. É uma coisa tão babaca. Mas quem vai bater? Ele (Edir Macedo) foi recebido como chefe de Estado pela presidente Dilma Rousseff. Ele presta para o governo federal e não presta para o governo municipal? O Serra foi lá na Igreja Mundial e ganhou a bênção do apóstolo Valdemiro. A maioria das igrejas está se posicionando e todo mundo está correndo atrás. E aí, quem vai bater por causa do Edir Macedo? É a maior incoerência do mundo.

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