Nos 'grotões', prefeitos migram para legendas dos governadores

Só no Estado do Piauí houve 111 ações contra mandatos de vereadores, prefeitos e vice-prefeitos em 74 municípios

LUCIANO COELHO , ESPECIAL PARA O ESTADO / , TERESINA , TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2011 | 03h07

A infidelidade partidária costuma ser mais percebida nos chamados "grotões". A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) ajuizou somente no Piauí 111 ações contra o mandato de vereadores, vice-prefeitos e prefeitos em 74 municípios do Estado.

O procurador Marco Aurélio Adão apontou infidelidade partidária dos políticos que mudaram de partido sem justificar a causa, entre eles os prefeitos de Palmeirais, Márcio Teixeira; de Cocal, Fernando Sales; e de Brasileira, Francisco de Assis Amado Costa Bento - que deixaram, respectivamente, PDT, DEM e PSDB e se filiaram ao PSB, do governador Wilson Martins.

Segundo a PRE, das 111 ações propostas, 28 referem-se a políticos que deixaram os partidos pelos quais foram eleitos em 2008 para se filiarem à legenda do governador. A justificativa normalmente é que assim fica mais fácil conseguir benesses do governo, como obras e liberação de recursos em convênios.

Os três prefeitos já tiveram os mandatos cassados em ações anteriores na Justiça Eleitoral, acusados de abuso de poder econômico e compra de votos. Eles ainda estão nos cargos por força de decisão liminar, em face de recurso.

Os prefeitos alegaram que foram expulsos dos partidos originais e, portanto, teriam justa causa para mudar de legenda.

Na Bahia, dois prefeitos - José Luiz Maciel Rocha, de Seabra, na Chapada Diamantina, e Newton Francisco Neves Cotrim, de Igaporã, no centro-sul do Estado - também estão ameaçados de perder os mandatos por infidelidade partidária.

A PRE move, desde outubro, ações de decretação de perda de cargo eletivo contra eles e outros 24 políticos, vereadores e vice-prefeitos do interior baiano, acusados de terem se desfiliado dos partidos pelos quais foram eleitos sem justa causa.

Eleito pelo PMDB, Rocha se desfiliou do partido para ingressar, uma semana depois, no PSB. Cotrim foi eleito pelo PR, do qual pediu desfiliação para ingressar, menos de um mês depois, no PT, do governador Jaques Wagner.

As alegações dos dois prefeitos para as mudanças de legenda são parecidas: se não o fizessem, enfrentariam resistência para disputar a reeleição. "Estava sendo discriminado, não participava de nenhuma decisão do PMDB", alegou Rocha.

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