Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação
Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação

Nordeste se mantém como ‘cinturão da esquerda’

Para o PT, mesmo que Haddad não vença,região pode ajudar a diminuir o ‘tamanho da derrota’ do partido

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2018 | 18h43

BRASÍLIA - Reduto do PT há mais de uma década, o Nordeste impediu que Jair Bolsonaro (PSL) vencesse a disputa presidencial no primeiro turno e se mantém como “cinturão da esquerda” no mapa eleitoral. O candidato petista ao Planalto, Fernando Haddad, ficou à frente de Bolsonaro nos nove Estados da região e aposta nesse território para a difícil tarefa de virar o jogo.

No embate entre “os dois Brasis”, o Nordeste se transformou em trincheira de resistência a Bolsonaro, que mudou seu plano de governo para encaixar propostas mais populares, na tentativa de conquistar votos no único pedaço do País onde ficou atrás de Haddad. Bolsonaro prometeu pagar o 13.º salário a quem recebe o Bolsa Família, ciente de que o Nordeste concentra mais da metade das famílias atendidas pelo programa.

A resposta do ex-prefeito de São Paulo, que chegou até a exibir um chapéu de cangaceiro, não tardou. Haddad anunciou que, se eleito, reajustará em 20% os benefícios do Bolsa Família. Nenhum dos dois disse de onde sairão os recursos.

Embora não tenha repetido o desempenho dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff no Nordeste, Haddad conseguiu, até agora, evitar que a onda bolsonarista invadisse o último bastião do PT. Para a cúpula do partido, mesmo que o herdeiro de Lula não ganhe, o tamanho da derrota será importante na hora de reconstruir o projeto de poder.

“Vamos continuar trabalhando para construir um Brasil de união nacional e de paz, para acabar com essa polarização”, disse o governador da Bahia, Rui Costa (PT), já reeleito. “Fiquei muito feliz de ver pessoas do PSDB, do DEM, de vários partidos dizerem que a votação neste domingo não será entre quem gosta do PT e quem não gosta. A votação será entre quem gosta de democracia e quem não gosta; quem gosta do Nordeste e quem não gosta.”

‘Piada de baiano’.

Costa aproveitou uma gravação antiga, na qual Bolsonaro conta o que chama de “piada de baiano”, para elevar as críticas ao presidenciável. No vídeo, o candidato pergunta: “Por que é vantajoso comprar carro na Bahia?”. Ele mesmo responde: “Porque já vem com freio de mão puxado”. Em seguida, cai na gargalhada. Antes de fazer troça, Bolsonaro chegou a prever o contra-ataque. “Vou perder o voto da Bahia toda”, comentou, rindo.

“Respeite os baianos, candidato!”, reagiu Costa, que compartilhou o vídeo, divulgado nas redes sociais um dia após Bolsonaro afirmar que, se eleito, porá um ponto final na política do “coitadismo” de nordestinos, gays, negros e mulheres.

“É mais uma afirmação que merece nossa repulsa. Mas não causa estranheza, partindo de um candidato que já declarou que trataria de forma diferente governadores que não são seus aliados, caso eleito”, disse ao Estado o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), após conquistar o segundo mandato.

Além de Costa e de Camilo, o PT reelegeu no primeiro turno o governador do Piauí, Wellington Dias, mas perdeu Minas e Acre. Dos nove Estados nordestinos – que concentram 26,6% dos eleitores –, apenas o Ceará não deu a maior votação para Haddad na primeira rodada da disputa. Lá, Ciro Gomes (PDT) ficou na dianteira.

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