Nome do PR trava reforma ministerial de Dilma

A falta de consenso sobre uma vaga ou um nome do PR é um dos principais entraves para a reforma que a presidente Dilma Rousseff quer promover em sua equipe. O Palácio do Planalto não quer deixar o partido, alvo da primeira faxina de 2011 ao ter a cúpula dos Transportes demitida do governo, de fora do ministério ou de uma estatal que agrade à legenda.

JOÃO DOMINGOS, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h09

O próprio PR avalia que será melhor assumir uma estatal que um ministério de menor prestígio ou baixo orçamento. A sigla tem interesse em duas pastas, ambas com poucas chances de ficarem vagas: a de Minas e Energia, do peemedebista Edison Lobão, ou a de Integração Nacional, de Fernando Bezerra Coelho, do PSB e próximo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Dilma não mexerá com ninguém do PSB, porque não quer briga com o potencial candidato a presidente agora. Tampouco quer que partidos como o PR possam se bandear para os lados de Campos.

No último encontro de Dilma com os senadores Alfredo Nascimento (presidente do partido, ex-ministro dos Transportes demitido na faxina feita em 2011) e Antonio Carlos Rodrigues (SP) e com o líder do partido na Câmara, Anthony Garotinho (RJ), tratou-se da reaproximação do partido com o governo. Mas não foram propostos nomes.

Mesmo assim, houve confusão porque muitos nomes se lançaram ou reforçaram o lobby para serem nomeados. Dilma acha que o deputado Luciano Castro (RR) não tem perfil para o ministério, embora conte com o apoio da bancada na Câmara, da qual foi líder. O preferido de Dilma, senador Blairo Maggi (MT), foi vetado pela direção do PR.

Apesar do imbróglio, é importante para o Planalto manter o PR na aliança e, principalmente, na coligação da campanha de 2014. Com seu tempo de TV - cerca de 1 minuto e 10 segundos -, o partido seria cobiçado por outros candidatos a presidente, como Campos, cujo PSB conta com bem menos tempo que o PT, ou mesmo para o tucano Aécio Neves (MG).

Outra mudança que é tida como certa é a do ministro do Trabalho, Brizola Neto (RJ). Sem nenhum apoio no PDT, ele deverá ser substituído por Manoel Dias, secretário-geral da legenda.

Dias tem o apoio de Carlos Lupi, presidente da legenda que também acabou entrando na faxina de Dilma depois de se envolver em suspeitas de corrupção na pasta. Nos últimos meses Lupi tem dado mostras de que poderá deixar o governo Dilma para apoiar ou Eduardo Campos ou Aécio Neves.

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