Noiva de Cachoeira é detida por chantagem

Andressa é suspeita de corrupção ativa ao abordar o juiz Alderico Santos; PF instaurou inquérito

RUBENS SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h05

A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar denúncia do juiz da 11.ª Vara da Justiça Federal em Goiás, Alderico Rocha Santos, contra Andressa Mendonça, noiva do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Sob a acusação de tentativa de chantagem contra o juiz responsável pelas investigações decorrentes da Operação Monte Carlo, Andressa foi detida ontem e permaneceu por cerca de três horas na sede da Polícia Federal em Goiânia.

A PF cumpriu no início da manhã um "mandado de condução coercitiva" contra ela. Por não ter sido presa em flagrante, Andressa foi liberada. Mas ela terá de pagar, até amanhã, uma fiança no valor de R$ 100 mil, em dinheiro, por meio de depósito bancário.

Em nota, o juiz da 13.ª Vara da Justiça Federal, Mark Yshida Brandão, informou que o Ministério Publico Federal (MPF) representou pela busca e apreensão contra Andressa pela prática do crime de corrupção ativa. Conforme o magistrado, na última quinta-feira, Andressa esteve no gabinete Rocha Santos e informou que possuía um dossiê contendo "informações desfavoráveis" ao juiz "que seria publicado pelo repórter Policarpo na revista Veja, mas que ela poderia evitar a publicação".

Para isso, disse que bastaria que ele "concedesse liberdade ao réu Carlos Augusto de Almeida Ramos e o absolvesse das acusações ofertadas pelo Ministério Público", diz a nota.

Durante o encontro, a noiva de Cachoeira teria pedido um pedaço de papel, onde escreveu três nomes de amigos do juiz que fariam parte do suposto dossiê. O juiz esperou que ela saísse da sala, pegou o pedaço de papel e acionou a PF.

Por meio de nota, a direção da Veja informou "que seu Departamento Jurídico está tomando providências para processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista com uma acusação absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos".

Acareação. O delegado Sandro Paes Sandre, da PF, afirmou que na próxima semana será feita uma acareação entre o juiz federal e Andressa. Rocha Santos substitui o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, que pediu afastamento do caso alegando que tinha recebido ameaças.

Ao ser abordada em casa pelos agentes federais, Andressa, segundo um dos policiais, chorou muito. Na mansão do casal foram apreendidos computadores, celulares, documentos escritos à mão por ela e tablets. O material será periciado.

O inquérito correrá em paralelo à Monte Carlo. De acordo com a PF, o descumprimento da medida cautelar resultará em mandado de prisão preventiva. Andressa está proibida de manter contato com o noivo, preso no Distrito Federal, ou qualquer outro acusado. "Ela está sendo monitorada. E também está proibida de acesso e frequência à Justiça Federal, e de entrar em contato com qualquer pessoa envolvida na Operação Monte Carlo", disse o delegado.

Procuradores da República convocaram entrevista coletiva ontem e classificaram Andressa como "mensageira do grupo criminoso", comandado por Cachoeira. Segundo o MPF, ela está sendo investigada em outros dois inquéritos policiais, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

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