Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

No último debate no Rio, Freixo vai ao ataque

Socialista cita Universal e falas de Crivella em acusações; rival adota tom mais ameno

Wilson Tosta, Fabio Grellet e Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 10h21

RIO - Na tentativa de diminuir a desvantagem em relação a Marcelo Crivella (PRB) apontada pelas pesquisas de intenções de voto, o candidato Marcelo Freixo (PSOL) partiu para o ataque no último debate antes da eleição. Logo no primeiro bloco, apertou o adversário ao questioná-lo sobre igualdade entre homens e mulheres, chamou-o de herdeiro da Igreja Universal e lembrou sua postura de faltar a debates e evitar entrevistas. Crivella não se alterou. Preferiu fazer perguntas mornas, relacionadas a programa de governo.

“Que bom que você não fugiu deste debate, fico feliz”, saudou Freixo. O candidato do PRB só demonstrou irritação quando questionado sobre o projeto político da Igreja Universal. “Meu Deus do céu, Freixo não desiste. É uma obsessão. Há três semanas o Freixo só fala isso no programa de televisão. Quero esclarecer que igreja não tem projeto político nenhum”, afirmou, provocando risos da plateia. 

Depois, ao ter a primeira pergunta propositiva, sobre direitos do animais, respondida por Freixo, ironizou. “Você vê em casa que quando o Freixo trata de proposta, ele fica encantador. Quanto não ofende a gente, as propostas são perfeitas”, disse Crivella.

No segundo bloco, com temas sorteados, o debate esfriou. O principal confronto ocorreu quando Freixo afirmou que Crivella está aliado a Rodrigo Bethlem, ex-secretário de Eduardo Paes na prefeitura do Rio, flagrado numa gravação em que afirmava proteger um empresário dono de empresas de ônibus. 

Os candidatos também se enfrentaram quando Freixo criticou o adversário por mandar uma equipe na casa da família do pedreiro Amarildo de Souza para gravar vídeo com acusações contra Freixo. “Essas coisas ocorrem porque o candidato Freixo fez tantas coisas erradas que fica difícil a gente conter, acaba fazendo coisas que eu recrimino. Que são completamente erradas”, respondeu Crivella. 

O senador foi duramente criticado por Freixo. “Essa mulher tem problema sério de saúde. Perdeu o marido, torturado e desaparecido. Quando o Amarildo desapareceu, eu estava do lado da família. Você estava do lado do Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro pelo PMDB), você fazia parte daquele governo”, disse o candidato.

Suspense. Crivella chegou à TV Globo meia hora antes do encontro e uma hora depois de seu adversário, mantendo suspense sobre sua presença no debate. Nos últimos dias, ele cancelou participação em sabatinas e entrevistas. Avisou que não participaria de um programa da rádio CBN a nove minutos de a entrevista ir ao ar.

O senador entrou no estúdio ao som de “ooooô Crivella chegou / acabou o caô”, paródia do jingle de campanha de Índio da Costa (PSD), adversário derrotado no primeiro turno. O candidato do PSOL foi saudado aos gritos de “Uh! É o Freixo!”. 

“O debate foi como eu esperava: do meu lado, propostas”, afirmou Crivella, após o debate. “A estratégia dele (Freixo) é própria dos desesperados”.

O candidato do PSOL disse que não perdeu as esperanças. “O último debate do primeiro turno definiu o primeiro turno. Isso pode acontecer de novo. A diferença entre mim e o Crivella foi menor do que as pesquisas previam”, afirmou.

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