No TRE-SP, candidato questiona vacina no dia da eleição

O município de Nazaré Paulista, a 60 quilômetros de São Paulo, vive uma situação no mínimo curiosa: o prefeito reeleito Mário Antônio Pinheiro, o Nenê Pinheiro, do PSDB, venceu a eleição por apenas dois votos (4.338 a 4.336) ante o opositor do PV, Joaquim da Cruz Junior, no pleito mais acirrado da história da cidade. Para completar o quadro inusitado, a prefeitura marcou - para o dia das eleições - uma campanha de vacinação contra a rubéola, que ocorreu nos mesmos colégios da votação. Revoltado, o candidato do PV viu na ação uma propaganda indireta do prefeito e entrou com três ações no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Uma delas pede a cassação do registro do prefeito por causa da vacinação, evento "no mínimo esquisito e que desequilibrou a eleição".A vacinação foi autorizada pelo juiz da 16 ª Zona Eleitoral, Marcos Cosme Porto. Em uma faixa colocada na praça central da cidade, se dizia que a vacinação havia sido autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Junior, como é conhecido o candidato do PV, afirma que seu partido não foi consultado sobre a vacinação nos colégios. Ele questiona nas outras duas ações supostas irregularidades em uma das urnas, a 331, exatamente na qual Nenê Pinheiro obteve a maior diferença (67 votos) diante da coligação adversária, e pede ao TRE o cancelamento da eleição. Na 331, localizada na área central da cidade de pouco mais de 16 mil habitantes, a abstenção foi de apenas 7,9%, ante 16,4% de média nas demais. Um eleitor chegou para votar e alguém já havia votado em seu lugar, o que foi registrado na ata de votação. No documento, obtido pelo Estado, há também assinaturas praticamente idênticas e assinaturas ao lado de impressões digitais, como se os eleitores fossem analfabetos. "Quando começou a campanha, a gente já tinha certeza de que os adversários iriam usar a máquina, mas eles cometeram irregularidades graves demais. Se candidato não pode dar cesta básica também não pode oferecer remédio", argumentou Junior. A coligação liderada pelo PV entrou com ações ante a Justiça Eleitoral local, que foram indeferidas de plano. Recorreu, então, ao TRE, onde o assunto está sub judice. O chefe de gabinete da prefeitura, José Benedito Pinheiro Neto, classificou de "choro de perdedor" o questionamento da oposição. De acordo com ele, a vacinação foi feita por instrução da Direção Regional de Saúde (DRS) de Campinas, à qual a Secretaria Municipal de Saúde é subordinada, e devidamente autorizada pelo juiz eleitoral. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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