No teatro de Kassab, confusão é cortina e 2014, pano de fundo

Cenário: Alberto Bombig

O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2012 | 03h04

Nunca como nos últimos dias as declarações dos integrantes da linha de frente do PSD de Gilberto Kassab foram tão fiéis à máxima de que o partido não seria de esquerda, nem de centro, nem de direita, profetizada pelo prefeito de São Paulo em entrevista à rádio Estadão ESPN em março do ano passado.

A julgar pelas declarações recentes dos principais líderes do partido de Kassab na capital paulista, a sigla se assemelha hoje a uma bússola maluca na busca de um rumo, ora atraída pelo polo petista, ora pelo polo tucano. Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, diz preferir uma aliança com o PT. Guilherme Afif Domingos, vice-governador do Estado, não hesita em revelar seu gosto: o PSDB de Geraldo Alckmin.

É evidente, porém, tratar-se de uma estratégia comum, previamente combinada e baseada na famosa frase difundida por Abelardo Barbosa, o legendário Chacrinha, apresentador de rádio e TV (1917-1988): "Eu vim para confundir, não para explicar".

Atrás da cortina estabelecida pela confusão, Kassab arma seu teatro tendo como pano de fundo as eleições de 2014, quando pretende concorrer ao governo paulista ou ao Senado. Prefeito até agora mal avaliado pela população paulistana, à frente de um novo partido praticamente sem tempo de TV no horário eleitoral, ele não tem cacife para bancar uma candidatura própria do PSD. Porém, no cálculo de Kassab, atrelar-se a Geraldo Alckmin e indicar um vice do PSDB seria fortalecer o governador paulista, seu mais provável adversário em 2014 (o tucano dá repetidos sinais de que irá disputar à reeleição). É nessa medida que a aproximação com o PT interessa ao prefeito: desgastar Alckmin.

Até agora, nesse teatro do absurdo, a presidente Dilma Rousseff ocupa o camarote.

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