No Sul, comissão recebe papéis sobre Rubens Paiva

Os documentos que comprovam que o ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971, durante o regime militar, foi preso pelo Exército, serão entregues hoje pelo governo do Rio Grande do Sul a representantes da Comissão Nacional da Verdade.

LUCAS AZEVEDO , ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h04

Relatórios e manuscritos do arquivo pessoal do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, 78 anos, assassinado no dia 1.º de novembro, quando chegava em casa, em Porto Alegre, estão sob a guarda da Chefia de Polícia do Estado. Eles foram entregues às autoridades pelas duas filhas do coronel, cuja morte ainda é investigada.

"Esses documentos, num primeiro momento, pertenciam a uma linha investigativa do próprio crime que vitimou o coronel. Estamos com todo o cuidado em guardar esse material, já que se trata de documentos históricos", explicou o secretário-chefe da Casa Civil, Carlos Pestana. "Em nenhum momento cogitamos a possibilidade de não repassar essas informações."

O repasse às Comissões da Verdade estadual e federal ocorrerá durante uma cerimônia no Palácio Piratini, em PortoAlegre.

Segundo o coordenador interino da Comissão da Verdade do Rio Grande do Sul, Aramis Nassif, uma equipe já analisa o material. "Estamos fazendo uma filtragem do que possa interessar historicamente. Existem documentos de ordem pessoal que não nos interessam", explicou. "Mas existe pelo menos um que é relevante: contém as anotações feitas pelo coronel e que comprovam que o deputado Rubens Paiva esteve preso no DOI-Codi no Rio de Janeiro."

Chamou a atenção dos analistas um ofício, datado de 20 de janeiro de 1971, data da morte do ex-deputado e desaparecido político Rubens Paiva. Apresenta uma relação de objetos pessoais que estavam com ele no momento em que teria sido preso. O documento indica que Paiva chegou ao DOI-Codi naquele dia.

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