No Sul, atraso na demarcação pune os 2 lados

Uma das situações mais tensas da disputa por terras entre agricultores e índios se estende há pelo menos um século no noroeste do Rio Grande do Sul. Preocupados com o andamento dos estudos para demarcação de pelo menos 17 terras indígenas no Estado, agricultores bloquearam uma rodovia e tiveram o pedido de suspensão dos processos atendido.

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 02h01

Os índios protestaram diante do Palácio Piratini, em Porto Alegre, e foram recebidos pelo governador Tarso Genro (PT), que lembrou que a Constituição estadual prevê indenização para agricultores que tiverem de sair de áreas indígenas.

Vítimas. Adilson Policena, cacique dos caingangues em São Valério do Sul, diz que "o governo tem obrigação de fazer acontecer o que diz a Constituição e garantir aos índios seu espaço de sobrevivência". Para ele, índios e agricultores são vítimas do governo. "Conflito não traz benefício para nenhum dos lados".

"Os agricultores estão defendendo o que é deles", diz o representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul), Sidimar Lavandoski. Segundo ele, a entidade defende o direito de os agricultores ficarem nas propriedades porque contam com títulos legítimos, outorgados pelo Estado.

O Estado tem, segundo a Funai, uma área homologada e 16 regularizadas, num total de 64 mil hectares. Das outras 17, objetos da disputa em curso, nove estão em fase de reconhecimento; as duas delimitadas e as seis declaradas somam 45 mil hectares.

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