No Rio, PT e PSDB são apenas coadjuvantes

Protagonistas na política nacional, PT e PSDB vão desempenhar papel secundário nas disputas eleitorais deste ano no Estado do Rio de Janeiro, que reúne o terceiro maior contingente de votos no País com 11,6 milhões de eleitores. Os diretórios regionais dos dois partidos estabeleceram a ampliação de cadeiras nas câmaras municipais como meta principal nos pleitos de outubro.

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h03

Pela primeira vez desde a redemocratização, os petistas não terão um candidato à Prefeitura do Rio. O partido optou por indicar o vereador Adilson Pires como vice na chapa do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tentará a reeleição. O PT será uma das 19 legendas que vão apoiá-lo já no primeiro turno.

Os petistas fluminenses acreditam que cumprem uma "cota de sacrifício" por causa do projeto nacional do partido. "Sabemos que a maneira como abrimos mão de participar das disputas ao governos nos tira o protagonismo. Mas isso faz parte. Somos um partido nacional. Temos clareza da cota que estamos pagando para reeleger o Lula e eleger a presidente Dilma Rousseff", explicou presidente regional do PT, Jorge Florêncio, referindo-se às alianças com o PMDB em 2006 e 2010.

Segundo o dirigente petista, o partido projeta dobrar o número de vereadores dos atuais 75 para 150. "A questão da vereança é muito importante, pois cria muita capilaridade no Estado", disse.

Já o PSDB volta a apresentar um cabeça de chapa na capital depois de 12 anos fora da disputa. O deputado federal Otávio Leite é o candidato no Rio. Os tucanos, no entanto, devem ficar sozinhos na capital. Aliado preferencial no cenário nacional, o DEM optou por lançar o também deputado federal Rodrigo Maia na disputa. O PPS, outro partido de oposição no campo federal, já aderiu a Paes. Assim como o novato PSD. Os tucanos ainda tentam um acordo com o PV carioca, mas os verdes devem lançar a deputada estadual Aspásia Camargo.

"Existe na política brasileira um processo de mexicanização. O partido que mais cresce no País é o PG, Partido do Governo. Não se valoriza no País algo que é fundamental numa democracia: oposição", disse o presidente regional do PSDB, deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha. "Eu continuo resistente. E estou esperançoso. Se conseguirmos eleger os 90 vereadores que esperamos, vamos ter permeabilidade para fortalecer as nossas candidaturas majoritárias. Inclusive, a de presidente da República", disse o tucano.

Apostas. Apesar da falta de alianças na capital, Otávio Leite acredita que pode fazer sua candidatura decolar com o apoio de lideranças nacionais tucanas. No lançamento oficial de sua candidatura, no próximo dia 20, o discurso final será do senador Aécio Neves (MG).

"Há um forte eleitorado tucano aqui no Rio, vide as votações de Fernando Henrique, Geraldo Alckmin e José Serra. Nosso objetivo é agregar esse núcleo tucano que está aí e atrair esses segmentos para a nossa candidatura", disse Otávio Leite, que está em seu segundo mandato como deputado federal e já foi três vezes vereador, uma vez deputado estadual e vice-prefeito da cidade na gestão Cesar Maia (DEM), em 2005 e 2006.

Candidato à Prefeitura de Niterói, Rodrigo Neves, deputado estadual e secretário de Estado de Assistência Social, é a principal aposta do PT fluminense para as disputas pelos executivos municipais este ano.

Aos 35 anos, sociólogo formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do PT desde 1990, Neves foi derrotado em 2008 pelo atual prefeito e candidato à reeleição Jorge Roberto Silveira (PDT). A alta rejeição do pedetista e bom desempenho de Neves nas pesquisas faz com que ele já seja bajulado por lideranças nacionais do partido.

Há duas semanas, o líder do partido na Câmara, Jilmar Tatto (SP), e deputados da bancada federal e estadual foram a Niterói jantar com ele. Neves também já recebeu telefonemas do presidente nacional do partido, Rui Falcão, e disse que conta com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff na cidade durante a campanha.

"Entre as 118 cidades que o PT estabeleceu como prioridade esse ano, Niterói está entre as 10 mais importantes. A conquista da prefeitura pode representar para o PT o projeção de novos quadros e lideranças no Estado", afirmou Neves.

Atualmente, o PT controla oito das 92 prefeituras fluminenses, que reúnem cerca de 809 mil eleitores. Em 2008, o partido havia conquistado 10 municípios. Com a eleição de Lindberg Farias ao Senado em 2010, os petistas perderam Nova Iguaçu (548.643 eleitores). Já a cassação do prefeito Jorge Mario Sedlacek, por suspeitas de desvio de verbas para obras contra enchentes, tirou do partido o município de Teresópolis (119.580 eleitores).

Já o PSDB comanda apenas três cidades fluminenses atualmente, com cerca de 156 mil eleitores. O partido elegeu oito prefeitos em 2008. Dois seguiram para o PSD. Outra baixa foi o ex-presidente da legenda no Estado José Camilo Zito. Prefeito e candidato à reeleição em Duque de Caxias (594.534 eleitores), ele se filiou ao PP em outubro do ano passado.

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