No Rio, convênios privilegiam PDT

Em três anos, Ministério do Trabalho deu R$ 23,3 milhões a sete prefeituras fluminenses, cujos secretários são membros do partido

BRUNO BOGHOSSIAN / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h02

Os convênios firmados nos últimos anos pelo Ministério do Trabalho com prefeituras fluminenses privilegiaram municípios em que a secretaria responsável pela área está nas mãos do PDT. Desde 2009, segundo o Portal da Transparência, a pasta comandada no governo federal pelo presidente licenciado da legenda, Carlos Lupi, fechou parcerias no valor de R$ 23,3 milhões com sete municípios do Rio - todos contando com secretários filiados ao partido.

O maior beneficiário dos convênios foi a capital fluminense, que firmou parcerias de R$ 11,7 milhões nos últimos três anos. O secretário do Trabalho e Emprego do município é Augusto Lopes de Almeida Ribeiro, do PDT. Antes de assumir a pasta, a convite do prefeito Eduardo Paes (PMDB), Ribeiro exerceu as funções de coordenador de Empreendedorismo Juvenil do Ministério do Trabalho.

O Rio recebe recursos do governo federal para desenvolver projetos de economia solidária e de qualificação profissional de jovens em comunidades de baixa renda. Antes da indicação de Ribeiro para a secretaria, que ocorreu em 2009, o último convênio firmado com a prefeitura havia sido registrada em 2006, ano em que Lupi ainda não era ministro.

O Ministério do Trabalho também prometeu repassar, a partir de dezembro de 2010, R$ 5,8 milhões ao município de São Gonçalo para construção de uma Central de Atendimento ao Trabalhador, com 8.557 m² de área. A prefeita é Aparecida Panisset e o secretário de Trabalho é Henrique Porto, ambos do PDT.

Foi contemplado também, com uma parceria de R$ 1,1 milhão, o município de São João de Meriti, que teve dois secretários pedetistas nos últimos três anos: Bruno Correia e Oto Janes Leite de Oliveira. No mês passado, o prefeito Sandro Matos deixou o PR e se filiou ao PDT.

Em Caxias. No fim de 2009, a pasta de Lupi também assinou um convênio no valor de R$ 2 milhões com a prefeitura de Duque de Caxias, cujo secretário de Trabalho é Jorge Cezar de Abreu, do PDT.

Os outros municípios beneficiados nos últimos anos foram Belford Roxo (com um convênio de R$ 1,1 milhão), Itaboraí (R$ 1,1 milhão) - ambos com secretários de Trabalho filiados ao partido - e Búzios (R$ 199 mil), cuja secretária de Desenvolvimento Social, responsável pelos programas da área, é pedetista.

O presidente em exercício do PDT no Rio de Janeiro, José Bonifácio, afirmou que a sigla não recebe nenhum favorecimento por parte do ministério.

"A recomendação do ministro é atender a todos os prefeitos que busquem convênios e tiverem condições pra isso", explicou o líder pedetista.

Ele sustenta que os secretários do PDT não interferem na assinatura das parcerias. Admite, no entanto, que a indicação de nomes ligados à legenda do ministro beneficia as prefeituras. "O prefeito, inteligentemente ou politicamente, convida alguém que seja do partido do ministério. Em qualquer lugar, isso facilita a relação."

Base eleitoral. Carlos Lupi é natural de Campinas (SP), mas fez carreira política no Rio de Janeiro, onde se elegeu deputado federal em 1994. Anteontem à noite, ele recebeu o título de cidadão benemérito do Estado, concedido pela Assembleia, e fez discurso atacando a imprensa.

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