No Recife, Sérgio Guerra recebe até petista em festa de aniversário

Senador Aloysio Nunes, que questiona posturas do deputado à frente da sigla e quer oposição dura, não compareceu

ANGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h04

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), comemorou seu aniversário anteontem no Recife ao lado de importantes lideranças que fazem oposição à sigla na esfera nacional, como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) - amigo pessoal de Guerra - e o prefeito do Recife, João da Costa (PT).

Estavam ausentes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os senadores Aloysio Nunes (SP) e Aécio Neves (MG). A ausência de Aloysio Nunes, que tem criticado a atuação de Guerra publicamente, cobrando uma oposição mais firme do PSDB ao governo federal, deixou a impressão de que o PSDB ainda não superou rixas internas e não chegou a uma pacificação na Executiva do partido.

A festa em Recife reuniu ainda os governadores tucanos Teotônio Vilela (AL) e José Anchieta Júnior (RR), os senadores Cássio Cunha Lima e Cícero Lucena, da Paraíba, José Agripino Maia (RN), Álvaro Dias (PR) e Eduardo Azeredo (MG), além dos deputados federais Antonio Imbassahy (BA), Paulo Abi-Ackel e Rodrigo de Castro, ambos de Minas Gerais.

O governador Eduardo Campos, que é da base aliada do governo Dilma Rousseff, circulou com desenvoltura e conversou com muitos dos adversários políticos durante a festa, mas o prefeito petista - que tem administração muito criticada pelo PSDB - estava visivelmente fora do seu ninho.

Papel da oposição. Já passava da meia-noite quando o ex-governador José Serra (SP) chegou à festa. Ele atribuiu o atraso ao voo. Em rápida entrevista, disse que ser oposição não tem mistério. "Tem que apontar o que está errado, defender os direitos das pessoas, fazer propostas, ser combativa. É isso", resumiu.

Recém-empossado no Senado depois de uma batalha judicial, Cássio Cunha Lima defendeu uma "oposição com resultados". Ele observou que ainda vai levar suas ideias à Executiva Nacional, mas avaliou que o desequilíbrio numérico entre situação e oposição é muito grande e que o PSDB não tem condições de fazer uma "oposição panfletária".

"Para ser panfletário tem que ter gente na rua, o que não acontece", disse, ao frisar que não existe na oposição ninguém que faça o trabalho social que Lula fez com o PT há três décadas. "Repetir métodos de oposição feitos pelo PT não funciona."

Ao mesmo tempo o senador destacou que o governo federal paga um preço "altíssimo" para manter sua base no Congresso. "Nosso papel é se relacionar com a sociedade e, nas negociações trazermos conquistas para o Brasil e para a sociedade", frisou Cunha Lima.

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