No rádio, Alckmin garante abastecimento de água e pede 'confiança' a eleitor

Governador atribui crise hídrica no Estado à estiagem e diz que água está assegurada até a 'volta das chuvas'; adversários começam a disputar voto de indecisos

Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 16h12

São Paulo - O governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, atribuiu à crise da água que afeta o Estado à estiagem e, durante o horário eleitoral do rádio na tarde desta segunda-feira, 29, pediu "tranquilidade" e a "confiança" do eleitor após afirmar que o abastecimento está garantido até a volta "do período das chuvas". O tucano, que dedicou todo o programa ao assunto, não falou em prazos e negou a prática de racionamento. Seus adversários, Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha começaram a dedicar suas propagandas à disputa pelo voto dos eleitores indecisos.

O uso do horário eleitoral para tratar da crise da água ocorre quatro dias depois de o secretário paulista de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, prever que a primeira cota do volume morto do Sistema Cantareira dure até 21 de novembro. O uso da reserva começou no dia 31 de maio. O nível do sistema que abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, vem batendo seguidos recordes negativos.

No programa veiculado nesta tarde, a campanha atribui o baixo índice dos reservatórios à falta de chuvas. "Nunca houve na história de são Paulo uma estiagem tão forte quanto essa que estamos vivendo", disse o locutor na abertura do horário eleitoral. Na sequência, Alckmin enumerou as ações adotadas para resolver a crise, entre elas o desconto para quem economizou uso. "Atitude consciente que funcionou melhor que qualquer racionamento", afirmou.

Nesta segunda, o Estado mostrou que condomínios, bares e restaurantes do bairro dos Jardins, na zona sul de São Paulo, têm registrado corte no abastecimento de água durante toda a madrugada. Queixas parecidas já fora relatadas por moradores de bairros da zona norte. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) tem praticado a redução na pressão da água na rede durante a noite, como parte de um programa de sua gestão operacional. Apesar dos relatos, a companhia nega corte de água.

"Estamos vivendo um momento de dificuldade, sim, mas quero tranquilizar a nossa população", afirmou Alckmin. "O abastecimento está garantido até a volta do período das chuvas. Podem confiar", complementou no fim do programa. No horário eleitoral da TV, a campanha tucana falou sobre saúde.

Indecisos. A seis dias das eleições, as campanhas de Skaf e Padilha começaram a direcionar as propagandas na tentativa de atrair o voto de indecisos.

Na TV, o candidato do PMDB, segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, usou duas pequenas inserções para conversar com essa fatia do eleitorado. Em uma delas, um casal se beija e o homem pergunta: "Acesa ou apagada?". A mulher diz: "Ai, hoje eu estou em dúvida". No instante seguinte um outro ator aparece para dizer: "Tá na dúvida? Vota no Skaf que tem segundo turno".

De acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira, 23, 11% dos entrevistados responderam não saber em quem votar e os brancos e nulos somaram 12%. Skaf aparece com 17%, atrás de Alckmin, com 49%. Os resultados deixam em aberta a possibilidade de o tucano ser reeleito ainda no primeiro turno.

Os índices de indecisos e brancos superam as intenções de voto de Padilha, atualmente com 8%. Em terceiro lugar, o petista também tentou explorar quem está em dúvida. "O primeiro turno está chegando ao fim e muita gente ainda não decidiu que futuro quer para São Paulo", disse o petista para em seguida comparar programas e números dos governos petistas e tucanos.

Direito de resposta. Também nesta segunda, Padilha teve de direito de resposta no programa tucano do rádio. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) entendeu que afirmações feitas pela campanha tucana não correspondiam aos fatos e concedeu 1min ao petista para rebater as acusações de que, sob sua gestão, o Ministério da Saúde fechou leitos hospitalares no Estado. O mesmo tempo será concedido para resposta no programa eleitoral da TV à noite.

Padilha reproduziu trechos de seu próprio programa e do debate entre candidatos ocorrido na sexta, 26, para responder ao tucano, nos quais afirma não ser atribuição ministerial fechar leitos e criticou a política de saúde de Alckmin. A resposta foi veiculada no início da propaganda tucana e foi finalizada com uma ironia: "E começa agora o mundo de propaganda de Geraldo Alckmin".

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