No rádio, Aécio explora denúncias de corrupção contra o PT

Tucano resgata mensalão e depoimentos do ex-diretor da Petrobrás para atacar o PT; Dilma promete combate 'duríssimo' aos malfeitos e repete críticas às declarações de FHC

Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 08h39

Atualizado às 10h

São Paulo - O primeiro programa eleitoral da campanha de Aécio Neves (PSDB) do rádio do 2º turno, transmitido nesta sexta-feira, 10, explorou denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás e o PT. A exemplo do que já havia feito no primeiro turno, o tucano reforçou a ideia de que é preciso resgatar "bons valores" e, numa referência ao mensalão, disse que o PT "tem gente na cadeia". A presidente Dilma Rousseff também abordou a corrupção com a promessa de combater malfeitos e ainda repetiu trechos do programa da TV, em que procurou associar o PSDB a um "passado de recessão".

Considerado tema inevitável pelas campanhas do PSDB e do PT no 2º turno, a corrupção serviu de gancho para Aécio rebater o que chamou de "boataria" da campanha de Dilma. Um jingle ao som de samba diz que o "PT de sempre chegou e lá vem jogando pedra". "Nem parece que é culpado porque a inflação voltou. (...) Que tem gente na cadeia pela grana que roubou", diz o jingle.

Na reestreia do horário eleitoral, Aécio não falou diretamente sobre as denúncias de corrupção. O foco de sua participação ficou no agradecimento dos votos do primeiro turno e na tentativa de atrair o eleitorado da candidata derrotada do PSB Marina Silva.

Em sua fala, que repetiu trechos do primeiro programa da TV, o tucano disse que era preciso "ter de volta os bons valores". Os minutos finais do programa foram usados para explorar o conteúdo dos depoimentos do ex-diretor de abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, concedidos nessa quinta-feira, 9, à Justiça Federal. Ambos são os alvos principais da Operação Lava Jato e detalharam o suposto esquema de pagamento de propina a três partidos da base aliada do governo a partir de contratos da estatal.

Os comentários sobre as novas denúncias foram feitos por um comentarista político identificado como César Reis, que se referiu a Costa como "ex-presidente da Petrobrás" – cargo nunca ocupado por ele. "Me lembrei da época do mensalão, em que Lula dizia que não sabia de nada. Agora a presidente Dilma também não sabia de nada. Será que não está na hora de colocar um governante mais informado sobre as coisas que acontecem? Porque isso tem que ter um fim", afirmou.

Dilma. A exemplo do último programa antes do 1º turno das eleições, Dilma usou o novo slogan "governo novo, ideias novas" e enumerou ações de sua gestão, entre elas, destacou o combate à corrupção. O tema também foi abordado ao final do programa. Com trechos repetidos na peça veiculada na TV, a petista disse que fará um "combate sem tréguas, ainda mais duro, duríssimo" aos malfeitos. "Fui a única candidata a apresentar propostas concretas para agilizar os julgamentos e endurecer as penas contra corruptos e corruptores", disse a presidente. 

A linha principal do programa do rádio, que repetiu trechos da reestreia do horário eleitoral da TV, foi comparar os governos do PT e do PSDB, aliada à tentativa de associar os tucanos a um "modelo econômico que quebrou o País três vezes". "O povo não vai deixar o passado de desemprego voltar a nos assombrar", disse a locutora.

A campanha também lembrou as declarações recentes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que o eleitor vota no PT por ser menos informado. Ao abordar o assunto, os apresentadores apresentaram FHC como aquele "chamou os aposentados de vagabundos". "É assim que ele trata os mais humildes", finaliza um dos locutores. As falas do tucano tem sido rebatidas por Dilma e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voltaram ao assunto durante compromissos de campanha nessa quinta-feira./Colaborou Stefânia Akel

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