No primeiro discurso, Figueiredo criticou corrida armamentista

Um discurso crítico às superpotências mundiais e às tensões entre os países marcou a estreia de um presidente brasileiro na tribuna da Assembleia-Geral da ONU. Em 28 de setembro de 1982, o general João Figueiredo deu início a uma prática que já dura 31 anos - até então, eram os chanceleres do Itamaraty que faziam os discursos de abertura. Essa tradição começou numa sessão especial da Assembleia, com Oswaldo Aranha - então empossado como primeiro secretário-geral da Organização. O Brasil tinha sido também o primeiro país a aderir à ONU, ainda em 1946.

Estadão Acervo, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2013 | 02h11

Em 1982, a fala de Figueiredo falou durou 45 minutos. "Estamos no limiar de um mundo novo. Permita Deus que, graças a nossos esforços, seja ele um mundo melhor. O Brasil, eu vos asseguro, está pronto a cumprir sua parte nesse empreendimento", disse ele.

O texto também temas propôs maiores esforços internacionais para "inverter a maré que leva ao desespero". Figueiredo criticou as superpotências por criarem tensões globais por meio de rivalidade e pediu que os países ocidentais industrializados diminuíssem suas barreiras comerciais, reduzissem os índices de juros e aumentassem os créditos às nações mais pobres.

Outro de seus assuntos foi o desafio do terror - na época, o terror eram os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da União Soviética. "Não há, nem pode haver, futuro no triste e inaceitável sucedâneo que é o equilíbrio do terror. Não é possível persistirmos na ilusão de que a harmonia mundial pode alicerçar-se no excesso de capacidade de destruição", afirmou. Terminou pedindo cooperação entre os países para "evitar crises econômicas, promover o desenvolvimento econômico e social e poupar as gerações seguintes do flagelo da guerra".

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