No presídio Tiradentes, rotina de dor e amizade

Criado em 1852, o presídio Tiradentes, em São Paulo, recebeu inicialmente escravos recapturados. Na década de 70, durante a ditadura militar, uma ala do presídio - a construção redonda, ao centro, em estilo colonial - ficaria conhecida como "Torre das Donzelas" por abrigar presas políticas.

O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2012 | 03h05

Dilma Rousseff chegou à torre, onde passaria quase três anos encarcerada, em fevereiro de 1970. Tinha então 23 anos e chegou com a saúde frágil após 20 dias de tortura nos porões da repressão. Logo se entrosaria com outras prisioneiras políticas - entre elas, as sociólogas Eleonora Menicucci e Rosalba Moledo, a médica Guiomar Lopes, a economista Diva Burnier, a jornalista Rose Nogueira e as advogadas Rita Sipahi, Maria Costa e Therezinha Zerbini.

Dilma já conhecia Eleonora da época em que estudavam em Belo Horizonte (MG). As duas procuravam humanizar a rotina na prisão, organizando festas de réveillon, carnaval e Natal, junto com as colegas.

Diante da Torre, as mães das estudantes faziam protestos e as visitavam nas tardes de sábado.

Quando a hoje presidente deixou o presídio, as companheiras repetiram a tradição local e cantaram "Suíte do Pescador", de Dorival Caymmi: "Minha jangada/ vai sair pro mar", era o verso entoado com mais emoção.

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