Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

No penúltimo debate, nada de ataque pessoal

Na Record, Dilma e Aécio evitam citar familiares, tentam priorizar propostas, mas denúncias envolvendo governos petistas e tucanos não ficam de fora

PEDRO VENCESLAU, RICARDO GALHARDO, ISADORA PERON, CARLA ARAÚJO, ELIZABETH LOPES, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 00h35

São Paulo - No penúltimo debate do 2.º turno da eleição presidencial, promovido neste domingo pela TV Record, os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) tentaram ser mais propositivos e evitaram os ataques pessoais que marcaram o confronto anterior da dupla, na semana passada. Mais uma vez, porém, o tema corrupção, principalmente as denúncias envolvendo a Petrobrás, dominou boa parte do evento.

Coube a Aécio, no fim do primeiro bloco, provocar Dilma a respeito do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, citado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, em depoimento na Justiça Federal, como elo do partido com o esquema na petrolífera. O tucano perguntou mais de uma vez se Dilma confiava no tesoureiro petista. Também citou o fato de Costa na delação premiada ter dito que repassou R$ 1 milhão para a campanha ao Senado da ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em 2010. Gleisi e Vaccari negam irregularidades.

Dilma reagiu repetindo a tática de acusar gestões tucanas de não investigar denúncias de corrupção. Entre outros casos, voltou a citar suspeitas de pagamento de propina para a implantação do sistema de vigilância no espaço aéreo da Amazônia durante o governo Fernando Henrique Cardoso e o cartel dos trens em São Paulo. A petista também lembrou que Costa disse na delação que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE) - que morreu no início do ano -, recebeu R$ 10 milhões em propina para esvaziar a CPI da Petrobrás no Senado, em 2009.

“Fico estarrecida (de ver) o senhor falar de governança com aquela lista imensa, nunca investigada, sempre engavetada (...) o senhor outro dia me chamou, falou que eu tinha prevaricado. Quem prevaricou foi o seu partido e o seu governo”, disse Dilma, que não respondeu aos questionamentos sobre Vaccari.

“Esse País tem instituições...Triste de um país onde um presidente manda investigar, isso funcionaria em ditaduras amigas de seu governo’’, respondeu Aécio, aplaudido.

O terceiro debate da segunda etapa da campanha pelo Palácio do Planalto, contudo, transcorreu em um clima de desconforto com o nível de agressividade registrado no encontro anterior. No evento promovido pelo SBT, UOL e Jovem Pan, na quinta-feira passada, Aécio e Dilma estabeleceram uma discussão intensa, que envolveu familiares - os irmãos dos presidenciáveis Andréa Neves e Igor Rousseff foram citados - e temas pessoais em clima de forte tensão.

No domingo, os candidatos chegaram à sede da emissora, na região oeste da capital paulista, prometendo um debate propositivo. Logo na primeira pergunta, Dilma perguntou a Aécio o que ele acha da universalização da Lei do Simples, um regime de tributação simplificado para micro e pequenas empresas do País. O tucano destacou que a legislação foi criada no governo Fernando Henrique Cardoso e que sua intenção, se eleito, é ampliá-la. Dilma citou números, afirmou que o Simples cresceu em sua gestão. Na tréplica, Aécio concluiu: “É isso mesmo. Governar é aprimorar boas ideias”.

Economia. Já na pergunta de Aécio, embora o tucano tenha questionado a presidente sobre os gastos do governo federal com segurança pública, o debate evoluiu para uma discussão sobre o desempenho da economia nacional. Enquanto o candidato do PSDB reiterou críticas aos baixos crescimentos do Produto Interno Bruto e ao que chamou de sucateamento da indústria nacional, a petista insistiu nas comparações das taxas de desemprego, afirmando que o País tem um dos menores índices da história.

Aécio falou em “crescimento nulo” em 2014 e Dilma ironizou, classificando o adversário como “muito pessimista” em relação ao desempenho do Brasil. O candidato do PSDB apontou “recessão técnica” e criticou declarações de Dilma de que a inflação está sob controle. Em resposta, a petista disse que a inflação não está descontrolada como “querem” os adversários. “Vocês sempre gostaram de plantar inflação para colher juros.”

A plateia, formada por assessores dos dois candidatos, ignorou em alguns momentos a proibição de se manifestar. Após as considerações finais de Dilma, houve vaias e aplausos. Quando Aécio concluiu seu discurso de encerramento, a claque do tucano o aplaudiu de forma ruidosa, a ponto de abafar o áudio dos apresentadores do evento.

As mais recentes pesquisas Ibope e Datafolha mostraram que os candidatos se mantêm em situação de empate técnico, com o tucano numericamente à frente da petista - 51% ante 49% dos votos válidos.

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