No PDT, Dilma e ministro não 'se amavam'

Antes de ir para o PT, presidente era pedetista, mas seu grupo no RS não era próximo a Lupi

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h04

Partido que está no meio da turbulência do momento em Brasília, o PDT foi o berço político da presidente Dilma Rousseff e, entre a ruptura traumática de 2000 e a reaproximação durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), mantém palavras de carinho para uma de suas ex-filiadas mais ilustres. Pelo menos no Rio Grande do Sul, onde Dilma construiu sua trajetória política, parte dela quando todo o partido estava sob o comando de Leonel Brizola - e não do atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que assumiu as rédeas da sigla em 2004.

Na semana passada, convocado para explicar no Congresso os convênios suspeitos firmados por sua pasta, Lupi mandou um recado à presidente: "Eu te amo". Na véspera, o ministro havia dito que só deixaria o cargo se fosse "abatido à bala".

A briga de Dilma com o PDT foi determinante na sua trajetória rumo à Presidência. Fundadora do partido, Dilma era tida como uma técnica discreta - foi assessora das bancadas trabalhistas na Assembleia gaúcha nos anos 1990; de campanhas políticas do ex-marido Carlos Araújo; e ocupou a secretária da Fazenda de Porto Alegre e de Minas e Energia do RS nos governos municipal (1986-1988) e estadual (1991-1994) de Alceu Collares.

E permaneceu assim ao voltar à Secretaria de Minas e Energia no governo petista de Olívio Dutra (1999-2002).

Mas aquela aliança entre os dois partidos naufragou na eleição de 2000 para a prefeitura de Porto Alegre. O candidato do governo estadual era Tarso Genro (PT). Entre os concorrentes estava Collares, que foi ao segundo turno e gerou um impasse. O PDT formou frente com adversários do PT, como o PMDB e o PSDB, e saiu do governo estadual.

Dilma, o vice-presidente do Banrisul, Sereno Chaise e o secretário de Turismo, Milton Zuanazzi permaneceram na administração de Dutra e deixaram o PDT, sob críticas contundentes de Brizola e de Collares. Dois anos depois, já no PT, a economista foi para o governo Lula.

Nesses anos, a aliança do PDT com o PT no governo federal ajudou a reaproximar os dois partidos no Rio Grande do Sul. Na campanha de 2010, Dilma foi recebida com entusiasmo por militantes na sede do PDT, como alguém que voltava à casa. Collares estava lá dando as boas-vindas.

"Ela é totalmente confiável e se perceber qualquer coisa que a leve à necessidade de tirar alguém, ela tira", afirma o ex-deputado federal Aldo Pinto, assessorado por ela na campanha para governador em 1986.

Ex-marido de Dilma e ex-deputado estadual, Carlos Araújo não é mais filiado ao PDT e evita emitir opiniões sobre as relações da sigla com a presidente. "Quem está no governo deve ajudar a governar", afirma, no único comentário que se permite fazer.

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