'No passado, o PT já tinha pleiteado o cargo'

Líder do governo no Senado por mais de dez anos, Jucá disse que ficou surpreso com a proposta de rodízio na liderança

Entrevista com

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

14 de março de 2012 | 03h10

O peemedebista Romero Jucá (RR) admitiu ontem o interesse do PT em assumir a liderança no Senado, mas afirmou que não se sente alvo de fogo amigo. No entanto, ele disse que foi pego de surpresa pela proposta de rodízio na liderança anunciada pela presidente Dilma Rousseff.

Líder do governo no Senado por mais de dez anos - passou pelos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff -, Jucá disse ainda que depois de conversar com ele na segunda-feira, Dilma pediu para que não contasse que havia sido demitido, para preservar o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que perderia a liderança no dia seguinte. Jucá cumpriu a palavra e ficou quieto. Mas a notícia de que Vaccarezza sairia circulou nos meios políticos independentemente do silêncio do peemedebista.

O sr. ficou surpreso com a substituição?

Fiquei surpreso com a proposta de rodízio dos líderes. A presidente só não falou de quanto tempo será o rodízio. Se for baseado no tempo que fui líder, será de 10 anos.

Por que, mesmo sabendo que já estava fora, o sr. evitou se pronunciar sobre a decisão da presidente Dilma na segunda-feira?

A presidente Dilma me pediu que não falasse nada, para não melindrar o líder Cândido Vaccarezza, que só seria avisado da substituição hoje (ontem, terça-feira).

Depois de dez anos, como o sr. se sente não sendo mais o líder do governo no Senado?

Me sinto com as costas mais leves. Pela primeira vez em dez anos não vou acordar pensando na governabilidade, nos senadores que estarão em Brasília ou fora da capital, nos projetos que têm de ser aprovados, nos que têm de ser rejeitados. Vou cuidar de outras coisas, meus projetos, o Orçamento da União (Jucá será escolhido relator do Orçamento de 2013).

Senadores do PT se queixavam, vez por outra, de seu trabalho como líder.

O PT tinha se manifestado no passado pleiteando o cargo, o que também é natural.

O sr. se sente alvo do fogo amigo?

Não. Entendo que a mudança da liderança do governo foi da presidente por conta de um rodízio que ela pretende implantar. E eu respeito essa decisão. / JOÃO DOMINGOS e ROSA COSTA

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